MP pede prisão de Poze do Rodo por tortura e extorsão contra ex-empresário
Denúncia aponta que o MC e outras nove pessoas atuaram de maneira coordenada
O Ministério Público do Rio denunciou Marlon Brendon Coelho Couto, o MC Poze do Rodo, e outras nove pessoas por tortura e extorsão mediante sequestro do ex-empresário Renato Medeiros, em um caso ocorrido em 2023. O órgão pediu a prisão preventiva do cantor e de outros seis envolvidos.
De acordo com o MP, Poze e seus amigos atuaram de forma coordenada, com uso de violência física, para obrigar Renato a confessar que teria roubado uma joia do cantor. O empresário, contudo, nega as acusações.
As investigações da 42ª DP (Recreio) apontaram que Renato foi espancado com chutes, socos e com uso de uma arma artesanal feita com madeira e pregos. Além disso, Renato teria sido queimado com cigarros acesos.
Na ocasião, Poze negou todas as acusações e alegou que o empresário teria furtado sua joia.
Documentos anexados às investigações indicaram que Renato ficou com marcas de queimaduras e teve fraturas.
“A acusação foi apresentada com base em elementos concretos colhidos ao longo da investigação, os quais apontam de forma consistente para a materialidade do crime e os indícios de autoria. O pedido de prisão, por sua vez, visa garantir a ord em pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal, diante da gravidade dos fatos imputados ao acusado”, diz o advogado do empresário.
Prisão e habeas corpus
Poze do Rodo já havia sido preso, em 29 de maio, em sua casa no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Ele foi acusado de apologia ao tráfico de drogas e envolvimento com a organização criminosa Comando Vermelho (CV).
As autoridades afirmaram que o MC faz shows exclusivamente em áreas controladas pelo Comando Vermelho, com presença ostensiva de traficantes armados que atuam como seguranças dos eventos.
Além disso, a polícia indicou que esses eventos são usados pela facção para gerar lucro com a venda de drogas e financiar a compra de armas e equipamentos para a prática de crimes.
Um dos elementos usados pela polícia para justificar o pedido de prisão foi um vídeo de um show realizado em 17 de maio, na Cidade de Deus. No registro, Poze canta músicas que exaltam chefes do Comando Vermelho, enquanto um homem armado com fuzil grava a apresentação.
Dois dias depois, no mesmo local, o policial civil José Antônio Lourenço, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), foi morto com um tiro na cabeça.
O desembargador Peterson Barroso, da Primeira Vara Criminal de Jacarepaguá, concedeu habeas corpus a Poze, em 2 de junho.
“O alvo da prisão não deve ser o mais fraco – o paciente, e sim os comandantes de facção temerosa, abusada e violenta, que corrompe, mata, rouba, pratica o tráfico, além de outros tipos penais em prejuízo das pessoas e da sociedade”, diz trecho da decisão proferida.
No despacho, o magistrado citou a falta de punição aos responsáveis pelo esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, enquanto, segundo ele, “prende-se um jovem que trabalha cantando e ganhando seu pão de cada dia”.
Leia também: MC Poze declara ligação com o Comando Vermelho
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Comentários (1)
Fabio B
31.07.2025 16:50E ainda tem gente que diz que esses criminosos são "artistas". Se é faccionado é bandido.