Eles voltaram: turma da cloroquina agora festeja tarifaço de Trump
Qual o sentido, o proveito, a vantagem nisso tudo? Nenhuma. Zero. Ao contrário. Nem aos Bolsonaro nem ao povo. Mas desde quando isso importa?
Minha vida não tem mesmo mais um mísero ano de sossego. Ao menos desde meados dos anos 1990. De lá para cá, crises financeiras regionais e global, guerras, atentados terroristas nos Estados Unidos, Europa e Israel, pandemia, desastres naturais, eleições catastróficas no Brasil e mundo afora, impeachment, greve de caminhoneiros, tentativas de golpes de Estado nos EUA e Brasil, crises cambiais, juros explosivos…
Eu considero a vida um mar de dissabores entremeado por ilhas esparsas de prazer, e já estou cansado dessa montanha-russa de emoções. Nem vou falar de futebol, outra “desgraça” existencial, já que torcedor, ou melhor, alucinado pelo Atlético Mineiro. Ao que parece, quando nasci, Deus me perguntou: “Quer ser uma partícula cósmica vagando pelo universo ou um terráqueo, brasileiro, atleticano?”. Bem, a resposta aqui vos escreve.
Um dos períodos recentes mais aborrecidos da minha vida foram os anos de 2021 e, principalmente, 2022. Uma dupla conjunção demoníaca se abateu sobre minha cabeça: pandemia e bolsonarismo. De um lado, pessoas morrendo, o mundo “acabando” e eu já enxergando zumbis famintos invadindo minha casa. De outro, uma gente maluca, liderada pelo maníaco do tratamento precoce, receitando cloroquina como se fosse soro caseiro.
Festa estranha com gente esquisita
E nem vou falar da mesma turma aloprada e do mesmo devoto do curandeirismo, leia-se bolsonaristas e Jair Bolsonaro, em 2022, batendo continência para bandeira americana, cantando hino nacional para pneu, fazendo saudações nazistas nas ruas, acampados às portas de quarteis, enviando sinais luminosos de celular “para extraterrestres” e outras bizarrices do tipo, pois ocuparia mais três scrolls de tela, narrando as maluquices.
Vou me ater apenas às teorias mais excêntricas: chips inoculados pelos chineses no nosso corpo através das vacinas, banho de sol contra o coronavírus, ineficácia do distanciamento social e do uso de máscaras, mortes e transmissão de doenças neurológicas e síndromes congênitas por causa da vacinação e – quem sabe? – pular sete ondinhas para ganhar na megasena acumulada (nessa eu acredito, ainda que não tenha funcionado até hoje).
Mal se foram esses anos doentios, e cá estamos, outra vez, às voltas com os mesmos tipos. Uma horda invadiu as redes sociais para festejar o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil e as sanções americanas contra Alexandre de Moraes. Qual o sentido, o proveito, a vantagem nisso tudo? Nenhuma. Zero. Ao contrário. Nem aos Bolsonaro nem ao povo. Mas desde quando isso importa? Uma vez soado o berrante, “simbora” festejar.
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Comentários (2)
ISABELLE ALÉSSIO
03.08.2025 19:20“ Um mar de dissabores entremeado por ilhas de prazer “. Obrigada . Melhor definição da vida que já li!
Fabio B
31.07.2025 16:58Esses doidinhos fizeram com que eu criasse aversão até de usar a camisa da seleção.