Moro: “Anulação dos processos da Lava Jato reflete a inversão de valores morais”
Segundo o senador, a decisão de Dias Toffoli sobre o doleiro Alberto Yousef "reforça a impunidade e abre portas para novos escândalos"
O senador e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro (União), criticou nesta terça-feira, 15, a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular todos os atos da Operação Lava Jato contra o doleiro Alberto Youssef.
Segundo Moro, a medida reflete a “inversão de valores morais” no país e “abre portas para novo escândalos”.
“A anulação dos processos da Lava Jato, desta feita em relação a Alberto Youssef, reflete a inversão de valores morais pela qual o Brasil passa, reforça a impunidade e abre portas para novos escândalos como o do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS”, publicou no X.
Com a decisão proferida por Toffoli, todas as condenações impostas ao doleiro – que somavam 120 anos de prisão – se tornam nulas.
Alberto Yousef
No despacho em que anulou todos os atos da Operação Lava Jato contra Yousef, o ministro alegou a existência de um “conluio” entre Moro e o Ministério Público Federal (MPF).
“Declaro a nulidade absoluta de todos os atos praticados em desfavor dele no âmbito dos procedimentos vinculados à Operação Lava Jato, pelos integrantes da referida operação e pelo ex-juiz Sergio Moro no desempenho de suas atividades perante o Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, ainda que na fase pré-processual”, diz trecho.
“Se revela incontestável o quadro de conluio processual entre acusação e magistrado em detrimento de direitos fundamentais do requerente, como, por exemplo, o due process of law, tudo a autorizar o deferimento da medida que ora se requer”, acrescenta.
Outras anulações
Em fevereiro, o ministro já havia anulado todos os atos da Operação Lava Jato contra o ex-ministro Antonio Palocci. Na ocasião, ele atendeu a um pedido da defesa do condenado para estender benefício já concedido ao empresário Marcelo Odebrecht.
Outro beneficiado pelas anulações de Toffoli foi Léo Pinheiro, delator de Lula, sob a mesma premissa de parcialidade de Moro.
A decisão original, que abastece todas as outras, é a nulidade das condenações do próprio Lula.
No último mês, Toffoli também beneficiou o ex-ministro Paulo Bernardo por ausência de justa causa.
O ministro do Supremo anulou todos os atos, estendendo os efeitos de outra declaração de nulidade da operação contra o advogado Guilherme de Salles Gonçalves, alvo de duas ações da Polícia Federal (PF), e também réu da Lava Jato em ações penais.
Leia mais: Toffoli anula atos da Lava Jato contra o doleiro Alberto Youssef
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Comentários (2)
Emerson
15.07.2025 22:07E o que acontece em Lisboa fica em Lisboa .
Clayton De Souza pontes
15.07.2025 21:14Que vergonha de corte superior aparelhada pra blindar corruptos amigos e perseguir desafetos