Toffoli anula atos da Lava Jato contra o doleiro Alberto Youssef
Doleiro chegou a ser condenado a mais de 120 anos de prisão
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta terça-feira, 15, todos os atos da Operação Lava Jato contra o doleiro Alberto Youssef, segundo a Veja.
No despacho, o ministro alegou a existência de um “conluio” entre o ex-juiz Sergio Moro e o Ministério Público Federal (MPF).
“Declaro a nulidade absoluta de todos os atos praticados em desfavor dele no âmbito dos procedimentos vinculados à Operação Lava Jato, pelos integrantes da referida operação e pelo ex-juiz Sergio Moro no desempenho de suas atividades perante o Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, ainda que na fase pré-processual”, diz trecho.
“Se revela incontestável o quadro de conluio processual entre acusação e magistrado em detrimento de direitos fundamentais do requerente, como, por exemplo, o due process of law, tudo a autorizar o deferimento da medida que ora se requer”, acrescenta.
Com a decisão, todas as condenações impostas ao doleiro – que somavam 120 anos de prisão – se tornam nulas.
Segundo a defesa de Yousef, o despacho de Toffoli põe fim na Operação Lava Jato.
“Na minha opinião, é o fim da Lava-Jato. Acabou. A decisão enterra a Lava-Jato. Não vejo como a operação prosseguir agora que o inquérito mãe foi anulado”, afirmou o advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto.
Yousef na Lava Jato
O ex-doleiro Alberto Yousef foi um dos principais delatores e operadores financeiros da Operação Lava Jato, investigação que teve início em 2014 pela Polícia Federal (PF) para desmantelar um grande esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, políticos e empreiteiras.
Segundo as investigações, ele atuava como operador de esquemas ilegais de câmbio e lavagem de dinheiro, além de realizar o intermédio entre empreiteiras e políticos.
Na ocasião, a Lava Jato apontou que Youseff foi responsável por ocultar e repassar propinas relacionadas a contratos superfaturados.
Em março de 2014, ele foi preso ao lado do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, mas fechou um acordo de delação premiada. A partir da colaboração, as autoridades tiveram mais acesso aos detalhes do esquema.
Yousef foi condenado mais de 100 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Por ter firmado o acordo de delação, o doleiro cumpriu apenas parte da pena em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, além de pagar multas e devolver valores desviados.
Tudo anulado
Em fevereiro, o ministro já havia anulado todos os atos da Operação Lava Jato contra o ex-ministro Antonio Palocci. Na ocasião, ele atendeu a um pedido da defesa do condenado para estender benefício já concedido ao empresário Marcelo Odebrecht.
Outro beneficiado pelas anulações de Toffoli foi Léo Pinheiro, delator de Lula, sob a mesma premissa de parcialidade de Moro.
A decisão original, que abastece todas as outras, é a nulidade das condenações do próprio Lula.
O senador e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro (União Brasil-PR), havia protestado em seu perfil no X:
“O condenado confessa os crimes, celebra acordo de colaboração, devolve aos cofres públicos dinheiro que afirma ser produto de suborno e, anos depois, tudo é anulado por ministro do STF com base em fantasiosa nulidade. Depois reclama-se de ‘conversa de boteco’ quando o Brasil despenca no ranking de corrupção da Transparência Internacional. A prevenção e o combate à corrupção foram esvaziados pelo Governo Lula e seus aliados.”
No último mês, Toffoli também beneficiou o ex-ministro Paulo Bernardo por ausência de justa causa.
O ministro do Supremo anulou todos os atos, estendendo os efeitos de outra declaração de nulidade da operação contra o advogado Guilherme de Salles Gonçalves, alvo de duas ações da Polícia Federal (PF), e também réu da Lava Jato em ações penais.
Leia mais: Toffoli anula atos da Lava Jato contra ex-ministro de Lula e Dilma
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Comentários (10)
Amaury G Feitosa
16.07.2025 12:46Como é bom ser ladrão neste país de merda ...
Claudemir Silvestre
16.07.2025 12:41É vergonhoso o STF, que deveria ser a instituição máxima da Lei e Justiça no Brasil, trabalhar a favor dos bandidos que roubaram BILHÕES dos cofres públicos !! Tudo isso liderado pela bandido maior, que NÃO por acaso, é o Presidente da República hoje !!
MARCOS
16.07.2025 09:43KKKKKKK. AGORA NÃO FALTA MAIS NINGUÉM. KKKKKK.
Denise Pereira da Silva
16.07.2025 08:22E o “amigo do amigo do meu pai” continua a todo vapor.
Ricardo Cláudio
16.07.2025 06:30Seção 301 - Fiscalização anticorrupção.
Andre Luis Dos Santos
15.07.2025 22:35Um país assim não tem futuro, simples assim. Conluio, ta bom. E a PUTARIA que ocorre entre juizes "supremos" e as bancas de advogados de suas esposas e o que? Ai pode, e o conluio "do bem".
Emerson
15.07.2025 22:17"Conluio" , mas o que acontece em Lisboa está tudo ok .
Marcos Rezende
15.07.2025 21:19É tudo muito triste. Como podemos dar certo tendo ministros como Toffoli e Gilmar Mendes ditando os rumos do País. Se tiver fé REZE. Se não tiver fé chore.
GERALDO CARVALHO
15.07.2025 19:53Dias Toffoli, o rábula com graduação em direito, reprovado em 2 concursos de juiz no Acre, foi nomeado por Lula, sendo seu advogado. Hoje é o maior protetor do crime, do ilícito e do absurdo que virou nosso judiciário. Em qualquer país sério ele estaria afastado e preso. Ele anulou toda a enorme operação por uma premissa falsa. Entretanto é amigo do amigo do réu, sua mulher advoga e ele solta todo mundo. No mundo do mal que virou o STF ele só perde para Gilmar Mendes, seu mentor.
Marian
15.07.2025 19:35Vergonhoso