Ministros de Lula terão tarefas por perfil e discurso unificado no 2º turno
Estratégia foi acertada em jantar com ministros, Alckmin, Edinho Silva e Gilberto Carvalho; Lula não participou da reunião
Ministros do governo Lula (PT) terão a atuação dividida por áreas de influência no segundo turno da eleição presidencial, dentro de uma estratégia para ampliar a votação do presidente que também prevê a unificação do discurso da campanha.
Conforme apurou O Antagonista, integrantes da Esplanada vão concentrar esforços em frentes como redes sociais, movimentos populares e articulações regionais e estaduais.
A orientação foi discutida na noite de terça-feira, 6, durante reunião de ministros e membros da campanha de Lula na residência do ministro da Previdência, Wolney Queiroz. Um dos participantes afirmou à reportagem, sob reserva, que cada ministro terá uma tarefa de acordo com o espaço em que possui maior capacidade de mobilização.
“Uns são líderes nas redes sociais, outros são líderes dos movimentos populares, outros são líderes regionais, estaduais. Então, cada um vai fazer sua tarefa na sua seara”, pontuou.
Além da divisão das frentes de atuação, a reunião serviu para alinhar a comunicação da campanha para as próximas semanas. Segundo a fonte, o objetivo é “unificar o discurso” no segundo turno.
O participante negou que o encontro tenha sido voltado a uma cobrança por erros cometidos na primeira etapa da eleição ou a críticas à coordenação da campanha.
“Não foi para isso, não. Foi para alinhar agora as coisas que vão ser feitas no segundo turno, para unificar o discurso”, disse.
Disputa pelo centro
A busca por eleitores de centro também entrou na conversa, mas, segundo a fonte, não representa uma mudança em relação à estratégia adotada antes do primeiro turno.
“Buscar o centro sempre foi. Todo mundo está buscando o centro, não é só nós”, afirmou.
Segundo a fonte, o centro funciona como um “corredor fora das bolhas” disputado pelas duas campanhas.
O participante ressaltou que a reunião não teve caráter extraordinário em razão do resultado das urnas. Foi a terceira edição de encontros desse tipo entre integrantes do governo.
“É comum isso. Não tem nada extraordinário”, afirmou. Segundo ele, desta vez a conversa funcionou como uma “avaliação e preparação para o segundo turno”.
Alckmin e dirigentes do PT
O encontro reuniu a maior parte dos ministros e também integrantes da articulação política da campanha. Estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o ex-ministro Gilberto Carvalho – responsável pela agenda da campanha de Lula – e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
O presidente Lula não participou. Sua presença não estava prevista.
Não estiveram no encontro os ministros Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; Márcia Lopes, das Mulheres; Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação; e José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais.
Os convidados começaram a chegar por volta das 18h30. A reunião se estendeu até 22h20.
“Clima de otimismo”
O clima entre os participantes foi descrito como de otimismo para a nova etapa da campanha.
“É um clima de otimismo, de que tem muito para a gente avançar. Cada um vai cumprir sua tarefa”, afirmou a fonte.
Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial. O candidato do PL encerrou a primeira etapa do pleito como o mais votado, com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões), contra 45,16% de Lula (53,87 milhões).
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