Megaoperação no Rio: oposição acusa Lula de omissão e esquerda critica Castro

03.04.2026

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Megaoperação no Rio: oposição acusa Lula de omissão e esquerda critica Castro

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Guilherme Resck
6 minutos de leitura 28.10.2025 16:45 comentários
Brasil

Megaoperação no Rio: oposição acusa Lula de omissão e esquerda critica Castro

Parlamentares do PL relembraram declaração do presidente da República de que os traficantes de drogas são “vítimas dos usuários"

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Guilherme Resck
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Megaoperação no Rio: oposição acusa Lula de omissão e esquerda critica Castro
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) repercutiu entre parlamentares. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL-RS), se solidarizou com os policiais mortos e feridos e acusou o governo Lula (PT) de ser omisso diante da violência na sociedade brasileira. Já congressistas de esquerda criticaram o governo Cláudio Castro (PL) pela ação.

“O Rio de Janeiro amanheceu em guerra. Uma operação policial que deixou dezenas de mortos e feridos, e um Estado inteiro em pânico, escancara o tamanho do vácuo de comando e da omissão do governo federal diante da violência que devasta a sociedade brasileira, afirmou Zucco, em nota.

“Mesmo com pedido formal do governador Cláudio Castro, o governo Lula negou por três vezes o apoio das Forças Armadas. A tropa foi sozinha – enfrentando drones com bombas, barricadas e um arsenal de guerra em poder do crime organizado. Enquanto isso, o presidente da República prefere dizer que traficante é vítima de usuário, acrescentou, se referindo a declaração dada por Lula na Indonésia.

Zucco prosseguiu: “Vítima é o policial que tombou em combate. Vítima é o trabalhador que teve o ônibus incendiado. Vítima é o povo honesto, aprisionado pelo medo, abandonado por um governo que não tem coragem de enfrentar o crime”.

Ainda de acordo com ele, “nenhum agente de segurança deveria enfrentar o tráfico sem respaldo político, sem apoio logístico e sem cobertura federal”.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também criticou Lula, em publicação no X: “O Rio de Janeiro amanheceu em guerra. Policiais militares e civis lutam nas ruas contra o crime organizado, enquanto de Brasília o presidente Lula diz que ‘traficante também é vítima‘”.

Em suas palavras ainda, “o povo do Rio sabe quem é vítima de verdade: é a mãe que perdeu o filho pro tráfico, é o trabalhador que não pode sair de casa, é o policial que não sabe se volta vivo”.

Sóstenes criticou também o Supremo Tribunal Federal: “Durante anos o STF proibiu operações nas comunidades. O tráfico agradeceu. As facções cresceram, expandiram seus territórios e hoje desafiam o próprio Estado. E agora, quando a polícia volta às ruas, quem é criticado? O policial”.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parabenizou Cláudio Castro pela operação. “As Polícias do Rio de Janeiro fizeram hoje a maior operação da história no combate ao crime organizado, após meses de investigação e trabalho de inteligência!”, escreveu no X.

“Segundo informações preliminares, foram mais de 80 fuzis apreendidos em único dia e dezenas de marginais neutralizados, que reagiram a ação com milhares de tiros de fuzis, barricadas em chamas e até drones com bombas! E o governo lula não deu absolutamente nenhum apoio. Não há outro caminho para buscar a liberdade de milhões de pessoas que vivem sob a lei paralela desses marginais com tamanho poderio bélico! Parabéns aos nossos Policiais e ao Governador Cláudio Castro!, complementou.

Críticas da esquerda

A líder da federação Psol-Rede na Câmara, Talíria Petrone (Psol-RJ), por sua vez, disse que “as operações policiais de Cláudio Castro têm um verniz de combate ao crime organizado, com muita visibilidade na mídia”.

“O que isso esconde: escolas fechadas, prejuízo ao comércio local, moradores sendo atingidos e sem poderem ir ao trabalho. E esconde, acima de tudo, a opção do governador, similar a de Tarcísio [de Freitas] em SP, por não combater os chefões do asfalto, os que de fato comandam as organizações, complementou.

O deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) afirmou que “a política de Cláudio Castro trata a favela como território inimigo, com licença para atirar e matar”. Essa política de guerra é sangrenta e ineficaz. A cada megaoperação, o resultado é o mesmo: vidas perdidas, famílias destruídas e crime organizado se recompondo e crescendo”.

Ainda nas palavras do parlamentar, “combater o crime é urgente, mas precisa ser feito com inteligência, planejamento e políticas públicas realmente eficientes”.

Já o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) escreveu no X que essa situação desesperadora que o Rio está vivendo não encontrará em Cláudio Castro nenhuma solução. “Ele é parte fundamental do drama que os moradores do estado enfrentam”.

O deputado prosseguiu: “Onde está o plano de redução de homicídios? Onde estão as ações concretas para diminuir a violência no Rio de Janeiro? Nada. O que existe é a banalização da vida como método de governo. Minha profunda indignação e solidariedade às famílias desesperadas e a todos os moradores do nosso estado que enfrentam esse sofrimento nesse momento”.

Segundo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), “o governador Cláudio Castro tem uma postura vergonhosa e tem que vir à público explicar porque se posiciona contra a PEC da Segurança, que dá força a ações de inteligência e de integração dos diferentes órgãos de segurança da União, Estados e municípios”.

A Proposta de Emenda à Constituição foi enviada ao Congresso em maio e está sendo analisada por uma comissão especial na Câmara.

“Com a PEC da Segurança, a Polícia Federal teria garantida sua atuação em ações contra organizações criminosas e milícias privadas que tenham repercussão interestadual ou internacional. Essa operação deveria ter sido planejada e dialogada com o ministro da Justiça para uma atuação conjunta e coordenada”, pontuou Lindbergh.

“O governador Cláudio Castro insiste em um modelo falido, que ao invés de privilegiar inteligência e integração, prefere operações de guerra, utilizadas há décadas no Rio de Janeiro, sem nenhum resultado concreto, exceto o derramamento de sangue de civis e policiais”.

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