Oposição exige que facções sejam classificadas como grupos terroristas
Parlamentares criticam o posicionamento do Planalto sobre CV e PCC, e a recusa em classificá-las como organizações terroristas
A operação policial deflagrada nesta terça-feira, 28, nas comunidades do Alemão e da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, que resultou em pelo menos 64 mortes, entre eles quatro policiais e 52 suspeitos, serviu para aumentar também a temperatura do debate político sobre a situação caótica da segurança pública no estado e no país.
Bolsonaristas e integrantes da oposição têm usado as redes sociais e o plenário da Câmara para criticar a relutância do presidente Lula em enquadrar o crime organizado – Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) – como grupos terroristas.
O deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR) também ligou a escalada de violência ao desastrado discurso presidencial: “O crime organizado está usando até drones com bombas, mas para Lula, a culpa é dos usuários que oprimem os pobres traficantes”.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse que “a reação do Comando Vermelho no Rio mostra que não enfrentamos apenas criminosos, mas terroristas. O Brasil precisa reconhecer essas facções como grupos terroristas e agir com toda a força do Estado. O Rio não pode ficar abandonado. Segurança pública é prioridade nacional”.
O vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou nas redes sociais que o governo Lula seria responsável por supostamente recusar uma proposta dos Estados Unidos referente à classificação das facções: “Essa posição foi reafirmada em reunião com representantes dos EUA, durante a qual o Brasil destacou que suas facções criminosas não se enquadram como terroristas segundo a legislação brasileira”.
O deputado federal Filipe Barros (PL) também atribuiu ao Planalto o caos instalado no Rio, e lembrou a frase do presidente Lula sobre os traficantes também serem “vítimas dos usuários”: “Enquanto operações como a de hoje mostram mais uma vez ao País o tamanho da desgraça causada pelo crime, nunca se esqueça que Lula não quer combater as facções como terroristas. Não dá para esperar nada de quem chamou traficantes de vítimas dos usuários”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ironizou: “Drone do CV arremessa bombas em operação policial, mas se eu sugerir bombardear barcos de traficantes, a esquerda acha um escândalo”.
No Congresso, o deputado Cabo Gilberto (PL-PB) responsabilizou o aumento da violência pelas limitações impostas às forças de segurança e pela condução do governo federal. Ele e correligionários apoiam o fim da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 635), que restringe operações policiais em comunidades.
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