Medida de Lewandowski é “belo presente para PCC e CV”, diz procurador
O ministro da Justiça foi ao Senado defender a suspensão dos convênios da PRF com outros órgãos, como o Ministério Público
O procurador da República Helio Telho afirmou na quinta-feira, 9, que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, deu um “belo presente” para as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) ao retirar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) do apoio aos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos).
Para ele, o desconhecimento do ministro de Lula (PT) sobre o combate ao crime organizado é “assustador”.
“Constrangedor o desconhecimento do ministro Lewandowisk quando o assunto é combate ao crime organizado. Retirar a PRF do apoio aos GAECOS é um belo presente para o PCC e para o CV. Esse apoio tem autorização expressa nas leis orgânicas dos MPs e na Lei das OrCrim, não é possível que o ministro ignore isso”, escreveu o procurador no X.
“Não precisa de PEC”
Para o senador Sergio Moro (União-PR), que foi ministro da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro, “não precisa de PEC para arrumar a segurança pública”.
“O Ministro Lewandowski que apresenta uma PEC para facilitar a cooperação e a integração entre os órgãos de segurança é a mesma pessoa que impede a PRF de cooperar com os FICCOs e Gaecos. Todos os senadores presentes na audiência pública pediram ao Ministro a revisão da Portaria 830. A integração pode começar por aí, não precisa de PEC para arrumar a segurança pública”, disse Moro no X.
Leia também: Governo deve protocolar PEC da Segurança na próxima semana
Lewandowski no Senado
Lewandowski no Senado Ricardo Lewandowski foi à Comissão de Segurança Pública do Senado na quarta-feira, 9, prestar informações sobre a suspensão dos acordos de cooperação técnica mantidos entre a PRF, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado e os Ministérios Públicos Estaduais.
Na audiência, o ministro disse que a PRF “extrapolou” sua função de patrulhamento de estradas ao atuar em operações da Polícia Federal e das polícias civis.
“A Polícia Rodoviária Federal estendeu demais as suas atribuições. Começou a invadir, até para o constrangimento da Polícia Federal e das polícias civis, começou a exercer atribuições típicas da polícia judiciária”, afirmou.
“Havia certa extrapolação da competência da PRF. Ela tem suas atribuições delimitadas na Constituição, que é o patrulhamento ostensivo das rodovias federais. Não pode sair desses limites. A PRF estendeu demais as suas atribuições, começou a efetuar prisões, mandados de prisões, buscas e apreensões”, continuou.
Lewandowski disse também ter ficado “estarrecido” com a atuação da PRF em uma megaoperação contra o tráfico de drogas na Cracolândia, no centro de São Paulo, em agosto de 2024.
“É esse o papel da PRF? Tivemos que, com todo respeito, dar um freio de arrumação, cada qual no seu quadrado”, afirmou. “Queremos que cada polícia atue dentro das suas atribuições, estritamente. Não podemos admitir que a PRF cumpra mandado de busca e apreensão, invada uma residência, amanhã invada o gabinete de um parlamentar. Isso é inaceitável”.
PEC da Segurança Pública
Lewandowski apresentou na terça-feira, 8, aos líderes da Câmara dos Deputados, a última versão da chamada PEC da Segurança Pública.
Segundo o governo, a Proposta de Emenda à Constituição dará status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), de forma parecida ao que acontece com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com o Sistema Nacional de Educação (SNE).
Além disso, transformará a Polícia Rodoviária Federal em Polícia Viária Federal, que fará o policiamento ostensivo em rodovias, ferrovias e hidrovias federais; formalizará o papel das Guardas Municipais no policiamento ostensivo e comunitário; e estabelecerá órgãos autônomos de correição, com a função de apurar a responsabilidade funcional dos profissionais de segurança pública e defesa social.
O texto será protocolado na próxima semana.
Leia também: PEC da Segurança Pública é “início de solução”, diz Lewandowski
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Comentários (7)
Denise Pereira da Silva
11.04.2025 15:22Lewandowski, que já era uma vergonha como ministro do STF, demonstra agora ser uma vergonha como ministro de Estado. Que tristeza termos que ficar nas mãos de seres políticos inaptos e desprovidos de qualquer pudor em setores tão caros à população brasileira. Nova Constituição já! Precisamos assinar o plebiscito do Deputado Federal Kim Kataguiri. E garantir que não será a maioria dos congressistas atuais que elaborará uma nova Constituinte.
Claudemir Silvestre
10.04.2025 21:36O nome disso é INCOMPETÊNCIA !!!
FRANCISCO
10.04.2025 16:42Os bandidos já estão protegidos demais Sr. Ministro, é preciso proteger o cidadão.
Fachineli Comunicação Ltda
10.04.2025 15:17Esse cara em toda a sua carreira publica é uma desgraça pra nação! Não deve ter familia!
Marcos Rezende
10.04.2025 13:07Pouca gente fez mais mal ao Brasil que esse Senhor.
Fabio B
10.04.2025 11:33É preciso declarar guerra. Usar essa tropa de milicos inúteis e encostados para recuperar o território nacional e exterminar qualquer faccionado ou prender pra sempre. O Estado brasileiro é mais forte e capacitado que qualquer facção, até arrisco a dizer que seria relativamente rápido, mas precisa agir como se estivesse em guerra. Guerra real. E guerra não é bonita. Inocentes morrerão, sim. Mas é o preço a pagar para que, a médio e longo prazo, menos inocentes sofram. A omissão já mata muito mais.
Fabio B
10.04.2025 11:20Realmente é de ser pensar a quem interessa enfraquecer a PRF e desmobilizar a integração entre forças de segurança? Será coincidência que, enquanto a PRF é retirada do combate ao crime organizado, representantes de ONGs suspeitas e "observatórios sociais", financiados por braços ideológicos ou até ligados a facções, transitam com liberdade no Ministério da Justiça? A resposta à escalada do crime está em dar poder às forças que combatem o crime e principalmente em endurecer a legislação. Prisão precisa voltar a ser punição, não centro de reabilitação com direito a celular, saidinhas e visita íntima. Não quero que um vagabundo que tira a vida de alguém possa ter o direito de "reabilitação" ou tenha mimos, eu quero que um verme desse seja eliminado ou que jamais saia da prisão ou receba regalias. As vítimas recebem segunda chance?? O Brasil não precisa de um sistema "à brasileira" para fingir que combate o crime. Precisa de coragem. E El Salvador mostrou o caminho: cadeia cheia, rua vazia de bandido e população feliz. Só bukelizando, com ação direta, penas duras e tolerância zero, para devolver a paz ao cidadão de bem.