Mas por que Alagoas, Nísia?

10.09.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista
Mas por que Alagoas, Nísia?
avatar
Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 10.04.2024 17:15 comentários
Brasil

Mas por que Alagoas, Nísia?

A ministra mencionou secas no Norte e enchentes na região Sul como emergências, mas o estado mais beneficiado foi Alagoas

avatar
Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 10.04.2024 17:15 comentários 0
Mas por que Alagoas, Nísia?
Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

A ministra Nísia Trindade (foto) foi interrogada pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) a respeito da Portaria 544, emitida pelo Ministério da Saúde em maio de 2023. A portaria tem como objetivo ampliar os repasses de verbas para estados e municípios, ignorando os critérios técnicos estabelecidos pelo próprio ministério.

Durante a discussão, a ministra utilizou eventos climáticos ocorridos no final de 2023 como justificativa para a regra estabelecida pela Portaria 544. Alegando a necessidade de assistência financeira emergencial, a portaria permitiu ao ministério desconsiderar os critérios técnicos previamente estabelecidos.

Atendendo a solicitações de parlamentares e do ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), o ministério realizou repasses acima do limite para diversas prefeituras. A ministra mencionou secas no Norte e enchentes na região Sul como emergências, mas o estado mais beneficiado foi Alagoas, terra do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Ministério ignorou limite máximo de verbas

De acordo com reportagem do Estadão, os repasses efetuados com base na Portaria 544 permitiram que o ministério ignorasse o limite máximo de verbas destinadas aos atendimentos de média e alta complexidade que cada município tinha capacidade para receber, conhecido como Teto MAC. Em mais de 20 municípios, esse teto foi ultrapassado em mais de 1.000%.

Na prática, as prefeituras receberam uma quantia muito superior à sua capacidade de fornecer os serviços correspondentes. Enquanto isso, outros 1.332 municípios que solicitaram recursos por meio da mesma portaria não receberam nada.

Os maiores beneficiados foram o governo de Alagoas (R$ 166,5 milhões), o governo do Maranhão (R$ 132 milhões) e a prefeitura de Maceió (R$ 103 milhões), reduto do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Somente depois aparecem cidades como São Paulo, Teresina e Curitiba.

Nísia questionada

Muitos repasses têm sido feitos sem levar em consideração o Teto MAC. Existe uma situação que é considerada emergencial, como estabelecido pela Portaria 544 (…), que autorizou repasses acima do teto MAC. Minha pergunta é: quais critérios são utilizados para caracterizar uma assistência financeira como emergencial? Não está claro para mim o motivo pelo qual isso é considerado emergencial“, questionou Adriana Ventura, que é membro titular da Comissão de Saúde. “Vi municípios que poderiam receber 50 e receberam 150. Houve outro em que o Teto MAC era de R$ 40 milhões e recebeu R$ 100 milhões. Gostaria de entender os critérios e o que é considerado emergência“, acrescentou.

A Portaria 544 foi consequência de retornos aos ministérios (…), inicialmente de R$ 3 bilhões que eram destinados às emendas do relator. Estabelecemos critérios através dessa portaria, amplamente divulgados, para que os municípios pudessem solicitar esses recursos. Como situações emergenciais (que justificam o não cumprimento do teto), destaco aqui situações como inundações na região Sul (em novembro) e seca na região Norte (em outubro), que resultaram em falta de assistência em muitos municípios“, respondeu a ministra de Lula, sem fornecer mais detalhes.

Conforme mencionado pela deputada Adriana Ventura, os recursos destinados aos atendimentos de média e alta complexidade possuem critérios muito claros, relacionados ao tamanho populacional e à rede de assistência. Em muitos casos, são realizadas visitas técnicas. Estamos iniciando uma correção, vale ressaltar. Existem muitas distorções no Brasil. Se analisarmos a situação do Teto MAC nos estados do Pará e da Bahia, por exemplo, veremos uma grande defasagem em relação aos investimentos realizados. Mesmo que existam critérios técnicos, houve anos de negligência e falta de atendimento às demandas“, afirmou Nísia.

Disparidade entre municípios

Segundo a reportagem do jornal paulistano, em São João da Paraúna, município de Goiás com apenas 1.744 habitantes, há apenas um posto de saúde e nenhum hospital, de acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde. O município alegou ter realizado 28 mil procedimentos de média e alta complexidade em 2023, incluindo 4 mil exames de urina. A prefeitura recebeu R$ 1,25 milhão em novembro para cobrir os procedimentos de alta e média complexidade por meio da portaria. Por outro lado, Rio Verde (GO), com 225,7 mil habitantes e uma produção que superou 2 milhões de procedimentos especializados em 2023, solicitou R$ 126,7 milhões por meio da mesma portaria para custear os serviços, mas não recebeu nada.

O valor repassado para São João da Paraúna representa 4.758% do limite autorizado pelo Ministério da Saúde para a alta e média complexidade no município em 2023, que era de R$ 26.271,24. Por ter sido classificado como emergencial, o montante ultrapassou esse teto. Essa parcela supera todo o valor gasto pela administração municipal com assistência hospitalar e ambulatorial em 2023 (R$ 187 mil) e também todo o valor planejado pelo município para esses serviços no orçamento de 2024 (R$ 452 mil).

Em relação a Cabo Frio, Nísia Trindade afirmou que os repasses foram feitos de forma imparcial, seguindo as diretrizes técnicas das respectivas áreas específicas.

Não há nada de diferente ou extraordinário em relação a Cabo Frio, exceto pelo fato de o município ter ficado desassistido, ter ampliado sua rede e não ter recebido o apoio devido do governo federal. Essa era uma demanda antiga no Ministério“, afirmou a ministra.

A política de Alexandre Padilha

Como mostrou o Estadão, a distribuição do dinheiro da Saúde foi comandada pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, padrinho político de Nísia Trindade.

No papel, o repasse se deu a partir de propostas feitas por estados e municípios, avaliadas pelos técnicos do ministério. Na prática, prevaleceu a barganha com o Congresso, sob comando de Padilha e com atendimentos ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a quem coube fazer o rateio entre deputados”, afirmou o jornal.

Os responsáveis pelas relações entre os dois ministérios são o médico Mozart Sales, assessor especial de Padilha, Swedenberger Barbosa, o Berge, secretário-executivo da Saúde membro histórico do PT, ligado a Lula e a José Dirceu.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

O cambalacho de Moraes, Gilmar e Dino

O cambalacho de Moraes, Gilmar e Dino
2

Dino desautoriza André Mendonça e libera diretor-geral da PF a retomar o cargo

Dino desautoriza André Mendonça e libera diretor-geral da PF a retomar o cargo
3

Carlos Viana pede impeachment de Dino após reintegração de Andrei

Carlos Viana pede impeachment de Dino após reintegração de Andrei
4

Justiça mantém candidatura de Dallagnol ao Senado

Justiça mantém candidatura de Dallagnol ao Senado
5

Flávio vai ao TSE pedir cassação de Lula por desfile de escola de samba

Flávio vai ao TSE pedir cassação de Lula por desfile de escola de samba
6

OAB-DF abre processo contra sócios do escritório da esposa de Moraes

OAB-DF abre processo contra sócios do escritório da esposa de Moraes
7

Crusoé: Realtime indica virada numérica de petista na Bahia

Crusoé: Realtime indica virada numérica de petista na Bahia
8

Crusoé: Dino devaneia para atropelar Mendonça

Crusoé: Dino devaneia para atropelar Mendonça
9

Decisão de Dino atropela julgamento em curso na Segunda Turma do STF

Decisão de Dino atropela julgamento em curso na Segunda Turma do STF
10

Lula pede “quebra completa” de sigilo nas investigações do caso Master

Lula pede “quebra completa” de sigilo nas investigações do caso Master
1

Dino desautoriza André Mendonça e libera diretor-geral da PF a retomar o cargo

Dino desautoriza André Mendonça e libera diretor-geral da PF a retomar o cargo
2

"STF não pode se curvar a paixões políticas", diz Faculdade de Direito da USP

"STF não pode se curvar a paixões políticas", diz Faculdade de Direito da USP
3

Fachin cancela sessão do STF após decisão de Dino sobre a PF

Fachin cancela sessão do STF após decisão de Dino sobre a PF
4

Dino implodiu a segurança jurídica, diz Caiado

Dino implodiu a segurança jurídica, diz Caiado
5

Lula pede "quebra completa" de sigilo nas investigações do caso Master

Lula pede "quebra completa" de sigilo nas investigações do caso Master
6

Novo critica decisão de Dino e defende reformulação do STF

Novo critica decisão de Dino e defende reformulação do STF
7

TRE-RJ intima Rebeca Ramagem após condenação do marido

TRE-RJ intima Rebeca Ramagem após condenação do marido
8

Temer diz que preservar STF é “questão de sobrevivência” para a República

Temer diz que preservar STF é “questão de sobrevivência” para a República
9

"Decisão de Fachin restabelece a ordem pública e administrativa", diz AGU

"Decisão de Fachin restabelece a ordem pública e administrativa", diz AGU
10

13 invasões por dia em SP. E se a próxima tentativa for no seu condomínio?

13 invasões por dia em SP. E se a próxima tentativa for no seu condomínio?
1

Ruas chama Lula de “cara de pau” ao comentar adesão do Rio ao Propag

Ruas chama Lula de “cara de pau” ao comentar adesão do Rio ao Propag
2

A ferramenta que tenta prever o vencedor das eleições 2026

A ferramenta que tenta prever o vencedor das eleições 2026
3

PT aciona STF contra sigilo no caso Master

PT aciona STF contra sigilo no caso Master
4

Moraes perde a relatoria do inquérito das fake news

Moraes perde a relatoria do inquérito das fake news
5

Ciro e Elmano batem boca em debate no Ceará: “Abaixe seu dedinho”

Ciro e Elmano batem boca em debate no Ceará: “Abaixe seu dedinho”
6

Cury propõe fim do presidencialismo no Brasil e premiê liberal

Cury propõe fim do presidencialismo no Brasil e premiê liberal
7

Presidente do STF trava guerra entre ministros

Presidente do STF trava guerra entre ministros
8

O grupo eleitoral que pode decidir a eleição de 2026

O grupo eleitoral que pode decidir a eleição de 2026
9

TRE-RJ intima Rebeca Ramagem após condenação do marido

TRE-RJ intima Rebeca Ramagem após condenação do marido
10

EUA classificam grupo equatoriano como terrorista

EUA classificam grupo equatoriano como terrorista

Tags relacionadas

Adriana Ventura Alagoas Alexandre Padilha Arthur Lira Ministério da Saúde Nísia Trindade repasse verbas
< Notícia Anterior

Crusoé: O que importa no novo pacotão de reformas de Milei

10.04.2024 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Silvio Luiz é internado após passar mal na final do paulistão

10.04.2024 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.