Lula pede para ministros não apresentarem “nada novo” até o fim das eleições
Segundo o petista, já há "muita coisa" que seus ministros pensaram e precisam ser executadas até 3 de julho, devido às eleições
O presidente Lula (PT) pediu aos ministros do governo, nesta quarta-feira, 3, que não apresentem nenhum projeto novo até o fim das eleições deste ano e foquem em entregar “o que já foi pensando”. O pedido ocorreu durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.
“Nós temos até o dia 3 de julho para fazermos todas as entregas que temos que fazer. Porque depois do dia 3 de julho, não podemos mais fazer convênios com prefeituras, não podemos mais fazer convênios com o governo do estado, não podemos mais inaugurar obras”, falou Lula.
“Eu posso visitar obras, não posso inaugurar. Então, tudo que nós tivermos que entregar… ninguém me apresente absolutamente nada novo, agora é entregar o que já foi pensado. Tem muita coisa que vocês já pensaram, muita coisa que eu até pensei que já estava funcionando e algumas não estão funcionando por problemas burocráticos normais, e é importante que a gente apronte tudo até o dia 3 de julho”, acrescentou.
O petista será candidato à reeleição neste ano. Ele deve enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o presidente da Missão, Renan Santos, e outros nomes nas urnas.
Tratamento inaceitável?
Durante a reunião ainda, Lula voltou a criticar a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos de que seja imposta uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras. O petista afirmou que o Brasil “não pode aceitar“ o tratamento que os EUA deu ao país sul-americano nesta semana.
“Nós estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, eu diria até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo. A nossa luta para que este país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana. Não é possível”, disse.
“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os EUA. Desde o primeiro tuíte do presidente Trump, desde o primeiro tuíte, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exige. É que um presidente telefone para o outro ou mande uma carta oficial para o outro. Eu fiquei sabendo da taxação primeira pelo Twitter”.
Ele prosseguiu: “E uma taxação consubstanciada com base em inverdades. Porque o déficit que os EUA diz que tem com o Brasil é o Brasil que tem contra eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os EUA, e não os EUA contra o Brasil”.
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