“Não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil”, diz Lula
Petista voltou a criticar, em reunião ministerial, a proposta de imposição de tarifa sobre a importação de produtos brasileiros
O presidente Lula (PT) voltou a criticar, nesta quarta-feira, 3, a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos de que seja imposta uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras. O petista afirmou que o Brasil “não pode aceitar“ o tratamento que os EUA deu ao país sul-americano nesta semana.
“Nós estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, eu diria até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo. A nossa luta para que este país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana. Não é possível”, disse Lula, em reunião ministerial no Palácio do Planalto.
“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os EUA. Desde o primeiro tuíte do presidente Trump, desde o primeiro tuíte, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exige. É que um presidente telefone para o outro ou mande uma carta oficial para o outro. Eu fiquei sabendo da taxação primeira pelo Twitter”.
Ele prosseguiu: “E uma taxação consubstanciada com base em inverdades. Porque o déficit que os EUA diz que tem com o Brasil é o Brasil que tem contra eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os EUA, e não os EUA contra o Brasil”.
“Pego de surpresa”
Lula admitiu na reunião que foi “pego de surpresa“ com a proposta da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e criticou brasileiros que apoiam a medida.
“O que é triste é que tem brasileiros, que eu não vou citar nomes aqui, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente, ele vai prejudicar uma candidatura a presidente da República. Um imbecil desses não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula. Ou seja, pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou de levar vantagem”, disse.
Ele acusou essas pessoas de serem traidoras da pátria: “É de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser dizer que em qualquer outro país do mundo e em qualquer outro momento histórico isso seria chamado de traição da pátria. É o que eles fizeram”.
Lula afirmou que enviará uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tratando das tarifas.
“Vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e na imprensa mundial para mostrar que eles estão errados e que eles estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária e todos eles sabem que se a gente tiver um conflito mais sério em que for necessário utilizar armas nucleares, a gente não está ganhando de um país, a gente está destruindo o planeta Terra. E isso o Brasil se colocará sempre contra. Porque para nós ou é a paz, ou não é nada”, acrescentou.
Críticas a Rubio
Lula ainda criticou o tratamento que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, dá à América Latina e ao Brasil.
“Eu já tinha dito ao presidente Trump e vou dizer a vocês: esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado. Não sei se ele nasceu em Cuba, me parece que ele nem nasceu em Cuba. Parece que ele é filho de pessoas que nasceram em Cuba”, falou o presidente.
Posteriormente, na fala, o petista ainda relembrou que o golpe de Estado ocorrido no Brasil em 1964 teve o apoio dos Estados Unidos.
“Nós sabemos disso. Então, é importante que eles saibam que nós conhecemos a história, é importante que eles saibam que nós não queremos guerra, é importante que eles saibam que nós queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos e, portanto, não é uma relação nova, e que nós queremos fortalecer a nossa relação institucional com os EUA”, pontuou.
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