Lula, Motta e outras autoridades lamentam morte de Sebastião Salgado
Segundo o presidente da Câmara, o fotógrafo "colocou sua lente a serviço da humanidade ao retratar as contradições do mundo"
Várias autoridades lamentaram, nesta sexta-feira, 23, a morte de Sebastião Salgado, um dos fotógrafos brasileiros mais reconhecidos do mundo. Ele morreu na manhã de hoje, aos 81 anos, em Paris, na França.
Salgado enfrentava problemas de saúde decorrentes de uma malária contraída nos anos 1990. Segundo amigos próximos, os medicamentos haviam deixado de surtir efeito nos últimos anos. Em sua última aparição pública, na abertura de uma mostra na Normandia, já aparentava fragilidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu no X (antigo Twitter) que se sente “profundamente triste“ com o falecimento do fotógrafo. “Seu inconformismo com o fato de o mundo ser tão desigual e seu talento obstinado em retratar a realidade dos oprimidos serviu, sempre, como um alerta para a consciência de toda a humanidade”.
Ainda nas palavras do petista, “Salgado não usava apenas seus olhos e sua máquina para retratar as pessoas: usava também a plenitude de sua alma e de seu coração. Por isso mesmo, sua obra continuará sendo um clamor pela solidariedade. E o lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade”.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que Salgado “colocou sua lente a serviço da humanidade ao retratar as contradições do mundo“. “Um dos mais notórios fotógrafos do mundo, Sebastião deixa um legado na arte que nos incentiva sempre a refletir sobre os caminhos e decisões que tomamos. Meus sentimentos a sua esposa, Lélia, e toda a família”, complementou.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse ter recebido com “imensa tristeza” a notícia da morte. “Um grande artista. Uma morte precoce, 81 anos hoje em dia é muito cedo. Ele era um dos patrimônios culturais brasileiros, embora estivesse vivendo na França. Há poucas semanas, ele me telefonou por uma questão que o preocupava. Ele é um homem que tinha um olhar voltado para a proteção ambiental, para a proteção das comunidades indígenas, para outras causas importantes da humanidade“, acrescentou Barroso.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que perdeu “um amigo“. “O Brasil perdeu um dos maiores expoentes da fotografia mundial. A morte de Sebastião Salgado deixa uma lacuna irreparável no jornalismo brasileiro. Descanse em paz, companheiro”, complementou.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), disse que é um “dia triste para o Brasil”. “Sebastião Salgado era muito mais que um fotógrafo, foi um brasileiro que levou ao mundo uma visão única de questões tão caras à humanidade”.
Ele prosseguiu: “Através da imagem e sua sensibilidade sem igual, Salgado lançou luz sobre a dignidade de invisibilizados, revelou a beleza do planeta e denunciou dramas sociais de nosso tempo. Neste momento de luto, presto minhas condolências, em nome de todo o povo carioca, aos familiares e amigos de Sebastião Salgado. Sua obra que atravessou fronteiras e marcou a história, permanecerá como legado eterno”.
A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) disse que Salgado foi “o maior fotógrafo brasileiro e um dos maiores do mundo“. “Seu olhar revelou a dor e a dignidade humanas com uma beleza ímpar. Ficam as imagens, o exemplo e a missão de enxergar o outro. Que sua luz siga nos guiando”.
O senador Sergio Moro (União-PR) pontuou que “o mundo perde o seu mais talentoso fotógrafo, Sebastião Salgado, motivo de orgulho para o Brasil”.
A carreira de Sebastião Salgado
Mineiro de Aimorés, Salgado iniciou sua carreira fotográfica em 1973, após trabalhar como economista e consultor internacional. Visitou mais de cem países em projetos documentais que retrataram o sofrimento humano, a luta dos trabalhadores e a relação do homem com o meio ambiente. Seu trabalho ganhou projeção internacional.
A obra de Salgado está atualmente em destaque no centro Les Franciscaines, na comuna de Deauville, na França.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada em fevereiro de 2024, ele afirmou que havia deixado as grandes reportagens e que a iminência da morte não o assombrava.
“Aos 80, você atinge uma liberdade inimaginável. O que vier pela frente é lucro”, disse na ocasião.
Salgado formou-se em Economia na Universidade Federal do Espírito Santo e fez pós-graduação na USP. Trabalhou no Ministério da Economia durante a ditadura militar, antes de se exilar em Paris, onde concluiu doutorado e iniciou sua carreira como fotógrafo.
Entre seus livros mais importantes estão Autres Amériques (1986), Sahel: L’Homme en Détresse (1986) e Workers (1993). Em 2014, sua trajetória foi retratada no documentário O Sal da Terra, dirigido por Wim Wenders e por seu filho, Juliano Ribeiro Salgado. O filme foi premiado em Cannes e indicado ao Oscar.
Salgado deixa a esposa, Lélia Wanick Salgado, e dois filhos.
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