Lindbergh chama relator de “estuprador” e CPMI do INSS tem bate-boca
Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, repreendeu falas e manteve condução dos trabalhos em meio a tumulto
A sessão da CPMI do INSS virou bate-boca, nesta sexta-feira, 27, após o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) chamar o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), de “estuprador” durante o debate. A acusação, feita em meio à discussão do relatório final, provocou reação imediata de parlamentares e interrompeu momentaneamente o andamento dos trabalhos.
O deputado Gaspas respondeu de forma direta e elevou o tom no plenário. “Olha, me chamou de estuprador. Eu estuprei corruptos, como Vossa Excelência, que roubam do Brasil. Ladrão, corrupto, ladrão”, afirmou.
A confusão levou o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a intervir para tentar restabelecer a ordem. Ele repreendeu a fala de Lindbergh e ressaltou que o tipo de acusação não é admitido no âmbito da comissão. “Olha só, vossa excelência, por favor, respeite aos colegas e a si mesmo por ser membro dessa comissão hoje”, declarou.
Mesmo após a intervenção, o clima seguiu tenso. Alfredo Gaspar voltou a atacar Lindbergh. “Lave a sua boca, seu bandido”, disse, ampliando o nível de confronto verbal no colegiado.
Discurso de Gaspar
O deputado Alfredo Gaspar utilizou uma declaração proferida pelo então ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), para rebater as críticas do ministro Gilmar Mendes à atuação do colegiado. A declaração de Barroso, sobre Gilmar, é de 21 de março de 2018. O então integrante do Supremo chamou o colega de “uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia“.
Gaspar relembrou a fala durante a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS desta sexta, antes de começar a leitura do relatório final do colegiado.
“A jornada foi dura, a jornada foi de ataque. Lutar contra o poder e o sistema, lutar contra a corrupção num país que não acredita nas suas instituições e nos seus Poderes não é fácil, senhor presidente. E para finalizar essa luta, ontem nós fomos ao Supremo Tribunal Federal. Não fomos de forma repentina. Fomos de caso pensado. Porque alguém tinha que representar o povo de bem desse país naquele julgamento. Fomos atacados“, pontuou o relator.
“Mas são ataques que nos colocam uma medalha de ouro no peito, porque nós sabemos o que e a quem estamos enfrentando. Mas eu vi uma poesia que bem define o dia de ontem. E eu vou ler essa poesia. E eu vou ler essa poesia. Foi de um ministro do STF, chamado Luís Roberto Barroso. Me permitam. Mesmo aqueles que não simpatizam com o juiz, é importante reconhecer a sua poesia”.
Na sequência, ele leu a declaração de Barroso. “Me deixa fora desse seu mal sentimento. Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia. Isso não tem nada a ver com o que está sendo julgado. É um absurdo vossa excelência aqui fazer um comício, cheio de ofensas, grosserias. Vossa excelência não consegue articular um argumento. Já ofendeu o presidente, já ofendeu o ministro Fux, agora chega a mim”, disse o então ministro, se dirigindo a Gilmar.
“A vida para vossa excelência é ofender as pessoas. Não tem nenhuma ideia, nenhuma. A vida para vossa excelência é ofender as pessoas. Qual a sua ideia? Qual a sua proposta? Nenhuma. É biles, ódio, mal sentimento, mal secreto, uma coisa horrível. Vossa excelência nos envergonha. Vossa excelência é uma desonra para o tribunal, uma desonra para todos nós”.
Barroso prosseguiu: “Um temperamento agressivo, grosseiro, rude, é péssimo isso. Vossa excelência sozinha desmoraliza o tribunal. É muito penoso para todos nós termos que conviver com vossa excelência aqui. Não tem ideia, não tem patriotismo, está sempre atrás de algum interesse que não o da Justiça. Uma vergonha, um constrangimento”.
Após terminar a leitura, Gaspar disse que gostou da “poesia” e foi aplaudido.
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Comentários (1)
Aldo
28.03.2026 07:29Lindbergh "PAT" Farias.