Letícia Barros na Crusoé: O Leviatã eleitoral
A régua que vai medir o que é verdade ou mentira, em mais uma eleição, está na caneta dos togados
A campanha eleitoral começou e, junto com ela, um Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais equipado e disposto a decidir o que pode ou não circular.
Uma nova resolução dá ao Tribunal o poder de rotular, suspender e responsabilizar qualquer conteúdo que classifique como “manipulado” por inteligência artificial – com remoção imediata e ônus da prova invertido contra quem publicou.
A régua que vai medir o que é verdade ou mentira, em mais uma eleição, está na caneta dos togados que ocupam as cadeiras dos nossos tribunais superiores.
A inteligência artificial ainda é uma novidade. Embora muitos a vejam como positiva, e outros, como negativa, todos, sem exceção, precisam lidar com as transformações abruptas que ela tem gerado em inúmeras áreas – e na política não seria diferente.
É natural que estejamos receosos. Não obstante, o medo do novo não pode virar clamor por mais controle estatal sobre nossas vidas.
Cada nova tecnologia que assusta gera pedido de mais controle. Cada rodada de controle, se mal desenhada, semeia o próximo abuso que vai justificar a rodada seguinte.
O renomado economista Milton Friedman descreveu esse mecanismo em inúmeras de suas obras: cada intervenção estatal cria distorções, e essas distorções viram justificativa para a próxima rodada de intervenção…
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