Leonardo Barreto na Crusoé: O Carnaval de 1984
Desfile tentou reescrever, por meio de uma manifestação cultural, a versão da história que o PT quer contar
A Quarta-Feira de Cinzas foi de ressaca para o Planalto.
A escola de samba que propagandeou Lula foi rebaixada e pesquisas de opinião mostraram um estrago significativo na imagem do presidente, sem falar dos debates jurídicos que já estão contratados e irão se estender por mais tempo.
Não foi por falta de avisos, que jorraram aos borbotões vindos de aliados e adversários. Não era preciso ser cientista político ou jurado de Carnaval para saber que a tentativa de glorificação em vida era uma aposta arriscada.
Chama atenção, para um político experiente como Lula, ter assumido tanto perigo. Como explicar que o mandatário seja tão mais ousado do que foi nos mandatos anteriores?
Uma parte da resposta foi dada pela jornalista Dora Kramer: Lula está experimentando a maior egotrip – que o Google define como sendo uma “viagem do ego ou uma ação realizada principalmente para satisfazer a própria vaidade, aumentar o amor-próprio ou autogratificação” – que já se teve notícia.
Não se diz que, no Brasil, não há homenagem maior do que ser tema de uma escola de samba carioca no Carnaval. Lula quis viver isso em vida e no exercício do poder. E viveu.
Outra explicação é a disposição de reescrever a história recente do país, missão que Lula enfrenta sem constrangimento.
Logo no início, no carro abre-alas, havia uma encenação na qual Michel Temer roubava a faixa presidencial de Dilma Rousseff para, depois, entregá-la a Jair Bolsonaro, representado o tempo todo por um palhaço.
Nesse meio tempo, Lula era encarcerado e desaparecia. Mas voltava — a coreografia não explicou como — para ser novamente eleito e caminhar conduzido pelo povo de volta ao Palácio do Planalto.
Além de enaltecer a si mesmo, o que a estorieta trouxe foi a tentativa de reescrever, por meio de uma manifestação cultural, a versão da história que o PT quer contar…
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