Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar, aponta relatório
Documento elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão será votado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
Um relatóro elaborado no âmbito da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e que ainda será votado pelo órgão aponta que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o JK, foi assassinado pelo ditadura militar instaurada no Brasil com o golpe civil-militar de 1964. O documento contesta a versão oficial de que JK morreu vítima de um acidente automobilístico em 22 de agosto de 1976.
O documento foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso JK na CEMDP. A Comissão é um órgão de Estado, cujo apoio técnico-administrativo é de responsabilidade do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Ela foi criada por meio da Lei n. 9.140, de 4 de dezembro de 1995.
A CEMDP tem a finalidade de proceder ao reconhecimento de pessoas mortas ou desaparecidas em razão de suas atividades políticas; de empregar esforços para a localização dos corpos desses indivíduos; e de emitir parecer sobre os requerimentos relativos à indenização que venham a ser formulados por seus familiares.
Um pedido de reabertura da investigação do caso JK foi protocolado na CEMDP, por solicitação de Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e do jornalista Ivo Patarra.
O pedido foi pautado na 2ª Reunião Ordinária do CEMDP, realizada em novembro de 2024, e, na ocasião, foi distribuído à relatora Maria Cecília Adão.
Ainda de acordo com o CEMDP, desde então, a relatora tem trabalhado de forma articulada com pesquisadores do tema para oferecer um relatório sobre o caso. Os familiares de JK foram comunicados sobre o trabalho.
O relatório foi apresentado na 7ª Reunião Ordinária da CEMDP, em 1º de abril de 2026, para conhecimento e análise do colegiado.
Porém, diante do extenso conteúdo para análise e da necessidade de dar conhecimento aos familiares sobre o resultado das apurações, o Conselho decidiu que a votação ocorreria depois do contato com as famílias.
“O relatório baseia-se em elementos que já eram públicos, como os que foram coletados no âmbito do Inquérito do Ministério Público Federal nº 1.30.008.000307/2013-79. Os demais elementos, elaborados durante o trabalho da CEMDP, serão divulgados quando da conclusão da deliberação. Por fim, a CEMDP reforça seu compromisso com o diálogo permanente com as famílias de vítimas de violência de Estado, que têm sido e serão sempre protagonistas na busca por memória, verdade e justiça”, conclui a nota divulga pelo Conselho.
Juscelino Kubitschek foi presidente do Brasil de 31 de janeiro de 1956 até 31 de janeiro de 1961. Era filiado ao antigo Partido Social Democrático (PSD). Como presidente, foi o responsável pela construção da nova capital federal do Brasil: Brasília. Em seu governo, lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, também chamado de Plano de Metas, que tinha como lema “Cinquenta anos em cinco“. A meta principal era a construção de Brasília.
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