Justiça do Rio tranca investigação sobre vereador por suposta ligação com CV
Juiz aponta falta de provas e cita possível uso do aparato policial para “fins de perseguição política”
A Justiça do Rio trancou o inquérito policial que investigava o vereador Salvino Oliveira (PSD) por suposta ligação com o Comando Vermelho (CV). O parlamentar havia sido preso em 11 de março durante uma megaoperação da Polícia Civil contra o grupo criminoso.
Na decisão, divulgada pelo Metrópoles, o juiz Renan de Freitas Ongaratto, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, afirmou que não há “justa causa” para manter a investigação contra Salvino.
Segundo o magistrado, houve “flagrantes ilegalidades” na condução do procedimento investigativo, além de indícios de uso do aparato policial para “fins de perseguição política”.
“Desta feita, o que se tem é que — após a decretação e posterior revogação da prisão temporária — as investigações dirigidas ao investigado Salvino intensificaram-se sem novos indícios concretos e as condutas apuradas suscitam diversos questionamentos acerca de possível utilização do aparato investigativo para fins de perseguição política”, escreveu o juiz.
Salvino Oliveira
Salvino Oliveira foi eleito vereador do Rio de Janeiro com cerca de 27 mil votos e cumpre o primeiro mandato na Câmara Municipal.
Natural da Cidade de Deus, ele ganhou projeção política na zona oeste da capital fluminense, região onde construiu parte de sua base eleitoral.
De acordo com as investigações, o vereador teria recebido autorização de lideranças do tráfico para atuar politicamente na comunidade da Gardênia Azul, na zona oeste da capital fluminense.
A principal evidência usada para incluir Salvino na investigação era uma conversa de WhatsApp entre o criminoso Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Elder de Lima Landim, o Dom. No diálogo, os faccionados citavam uma suposta autorização para que o vereador atuasse na região.
O magistrado, contudo, afirma que não há “qualquer outro elemento concreto que indique conduta criminosa praticada pelo investigado”.
Soltura
Em 13 de abril, o desembargador Marcus Henrique Basílio aceitou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do político e determinou a soltura de Salvino.
Ao deixar o presídio, o vereador afirmou que estava sendo “vítima de uma grande injustiça”.
Ele repetiu o discurso do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, de que o governo estadual estava perseguindo “opositores políticos”.
“Agora, não pense que vai ficar assim. Esses que tão trabalhando de maneira tão esquisita para prender opositores políticos agora devem ser investigados, e a gente vai cobrar que a Justiça alcance essas pessoas que me trataram dessa maneira”, afirmou o vereador.
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Comentários (1)
Otreblig50
09.05.2026 07:44Podem continuar cantando, .... O rio de janeiro continua podre , la ra la ra la la