Governo Lula atribui impasses com EUA a “atropelos” de terceiros
Ministro diz que terceiros têm criado obstáculos às negociações e afirma que o governo brasileiro não deixará a mesa de diálogo
O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa (foto), afirmou nesta quinta-feira, 2, que “alguns atropelos” provocados por terceiros têm dificultado as negociações entre Brasil e Estados Unidos para um acordo sobre o tarifaço.
Segundo Elias Rosa, a orientação do presidente Lula (PT) é de que o governo “nunca” deixe a mesa de negociação.
“Todas as vezes em que nós caminhamos positivamente parece que surge algum empecilho ou atropelo e nós precisamos superar. […] O presidente Lula esteve com o presidente Trump na Malásia, depois daquele encontro na ONU, depois tivemos seguidos encontros, vários telefonemas, e sempre foram muito positivos“, disse.
A Casa Branca deu até o dia 15 para o Brasil tentar um consenso com o governo Trump.
Flávio entra na jogada
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma manifestação obrigatória ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em que pede a suspensão da aplicação, por parte do governo norte-americano, de novas tarifas contra exportações brasileiras.
Como mostramos, em maio, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA propôs uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, após concluir que uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano.
A decisão foi respaldada pela seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
No documento encaminhado ao governo dos Estados Unidos, o pré-candidato à Presidência faz questão de esclarecer que as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela exata estratégia que ele tem perseguido: protelar negociações sérias, provocar Washington para gerar uma retaliação e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna.
Flávio argumenta que, por mais de oitenta anos, os Estados Unidos e o Brasil foram parceiros de primeira ordem e apenas recentemente o governo do Brasil afastou o relacionamento do hemisfério ao qual o Brasil pertence.
“O governo atual teria esse período para se engajar em negociações de boa-fé, sem a perspectiva de dividendos eleitorais, ou enfrentaria as consequências da retomada dessas ações. Esse mesmo período daria à oposição no Congresso o tempo e a legitimidade para pressionar o governo atual a intensificar seus próprios esforços de negociação de boa-fé”, disse Flávio na carta encaminhada ao governo dos EUA.
Flávio Bolsonaro se inscreveu para participar da audiência pública que será promovida governo dos Estados Unidos, no dia 6 de julho de 2026, para defender o Brasil da proposta de aplicação do tarifaço.
O próprio secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em carta que a oportunidade, conduzida pelo Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, é o canal institucional legítimo para discutir o tema. É justamente essa via que o governo Lula se recusou a utilizar para defender as empresas brasileiras e o Brasil.
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