Gleisi nega “operação de retaliação” a deputados por apoio a anistia
Mais de 140 deputados federais filiados a partidos com ministérios assinaram pedido de urgência para projeto da anistia
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, negou nesta terça-feira, 15, que o governo esteja numa “operação de retaliação“ aos deputados filiados a partidos com ao menos um ministro no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que assinaram o pedido de urgência para o projeto de lei da anistia. Entretanto, chamou de “absurdo“ apoiar a urgência sendo da base do governo.
Como mostramos, 146 dos 264 deputados que assinaram o requerimento são filiados a partidos com ministérios. Os nomes estão distribuídos entre União Brasil (40), PP (35), Republicanos (28), PSD (23) e MDB (20). O pedido de urgência foi protocolado na segunda-feira, 14, pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
“O governo não está numa operação de retaliação, mas está sim mostrando aos deputados a gravidade politica, jurídica e institucional que significa apoiar este projeto“, afirmou Gleisi, em nota.
Ainda de acordo com a ministra, o projeto de lei é para garantir “a impunidade” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de “quem mais tentou derrubar” o governo Lula e matar o presidente. “É um absurdo apoiar urgência para um projeto sendo da base do governo, trata-se de uma grave afronta ao Judiciário e à própria democracia”.
Ela conclui dizendo que “urgência é preciso para projetos que beneficiam o povo brasileiro, e não para proporcionar golpe continuado”.
Internação não prejudica projeto
Ainda nesta terça-feira, o líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS), disse que a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro não prejudica a tramitação do projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Nas últimas semanas, Bolsonaro vinha pressionando para que a Câmara aprovasse a proposta. Além de ter participado de atos em defesa da anistia no Rio de Janeiro e em São Paulo, ele se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na última quarta-feira, 9, para discutir o projeto de lei.
Zucco ressaltou que, agora, o ex-presidente “está em resguardo, está em recuperação”. “Neste momento, o principal tema é a saúde. De nada [a internação] prejudica a tramitação do projeto. Já protocolamos o requerimento de urgência”, acrescentou.
De acordo com o congressista ainda, houve uma “sinalização” de que o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) tinham a intenção de influenciar a retirada de assinaturas do requerimento de urgência e, por isso, Sóstenes Cavalcante resolveu antecipar a apresentação do pedido.
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