Frias e empresa ligada a investigado enviaram R$ 1,4 mi à produtora de “Dark Horse”
Informação da Polícia Federal consta na decisão do ministro Flávio Dino que autorizou operação contra deputado e outros nomes
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresa NTT Brasil, de Heric Dias, fizeram repasses que totalizam 1,39 milhões de reais para a Go UP Entertainment, produtora do filme “Dark Horse“, que retrara a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A informação, da Polícia Federal (PF), consta na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação realizada nesta quinta-feira, 10, pela PF.
Os repasses fazem parte de movimentações consideradas atípicas de 19,03 milhões de reais nas contas da Go Up Entertainment, apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
“A comunicação de n.º 24 já foi brevemente tratada no item 1.4.2.3., mas versa sobre movimentações consideradas atípicas em contas correntes da empresa Go Up Entertainment Ltda, abrangendo o período de 10/11/2025 a 30/12/2025, em que a empresa movimentou R$ 19.033.071,00, sendo R$ 8.955.158,00 a crédito e R$ 10.077.913,00 a débito”, disse a Polícia Federal, conforme reproduzido na decisão.
“Figuram, dentre os principais remetentes de recursos para a empresa, a Moneycorp Banco de Câmbio S.A., que enviou R$ 3.920.976,40, a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli, responsável por transferências que totalizaram R$ 2.614.000,00, Marcello de Oliveira Lopes, que remeteu R$ 1.000.000,00, a NTT Brasil Ltda., que enviou R$ 750.000,00 e o Deputado Federal Mário Frias, que realizou transferências no montante de R$ 645.400,00“.
A PF prossegue: “Já dentre os destinatários de recursos, destacam-se a Unique Serviços de Hotelaria e Alimentação Comércio e Participações Ltda., que recebeu R$ 906.768,44 em 09 transações, a BAW Facilitadora de Pagamentos Ltda., destinatária de R$ 896.690,40, a Foodflix Alimentação Ltda., que recebeu R$ 653.155,00, a J D da Silva Produções, destinatária de R$ 264.700,00, e a Mazal Produções Ltda., que recebeu R$ 227.561,00”.
Ainda de acordo com a PF, os fatos chamam a atenção porque a Go Up Entertainment é a empresa responsável por “Dark Horse”, que tem como produtor executivo Mario Frias.
“Nesse sentido, segundo fontes abertas, o filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras”.
Segundo a PF, esses fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil enviou 750 mil reais para a Go Up Entertainment.
O valor é quase que exatamente correspondente aos 700 mil reais que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do Instituto Conhecer Brasil (ICB) – comando por Karina da Gama, que também comanda a Go Up – no escopo de um termo de fomento cujo objeto só veio a ter tentativas de execução em 2026 – ou seja, após o período tratado.
“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”, continua a corporação.
A operação da PF
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta a Operação Make Up para apurar suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, para a produção de “Dark Horse“. Karina Gama e Mario Frias são alvos da ação.
Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos por Dino, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
As investigações apontam a existência de uma “organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados”, afirmou a PF, em comunicado.
As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano.
“Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”, continuou a PF.
A Operação Make Up investiga os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
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