O navio que desapareceu no gelo do Ártico e foi encontrado mais de 160 anos depois praticamente preservado no fundo do mar
Abandonado em 1848, o navio foi localizado na baía Terror em 2016 com cabines, móveis e objetos surpreendentemente preservados
Em 1848, os homens sobreviventes da expedição de Sir John Franklin abandonaram dois navios presos pelo gelo no Ártico canadense. Um deles, o HMS Terror, permaneceria desaparecido por cerca de 168 anos até ser localizado em 2016. Quando arqueólogos finalmente examinaram a embarcação no fundo da baía Terror, encontraram um casco surpreendentemente preservado, com compartimentos, móveis, louças e outros objetos ainda em seus lugares.
Por que o HMS Terror desapareceu no Ártico?
O Terror partiu da Inglaterra em 1845 ao lado do HMS Erebus. Sob o comando geral de Franklin, os 129 integrantes da expedição tentavam atravessar a Passagem do Noroeste. Os dois navios haviam sido reforçados para ambientes polares e receberam motores a vapor auxiliares, aquecimento interno e outras modificações para suportar longos períodos cercados pelo gelo.
Mesmo assim, ambos ficaram presos no gelo próximo à ilha King William em setembro de 1846. Uma mensagem deixada pela própria expedição registra que Franklin morreu em junho de 1847 e que os 105 sobreviventes abandonaram os navios em 22 de abril de 1848, iniciando uma tentativa desesperada de alcançar território habitado ao sul. Nenhum deles sobreviveu para relatar diretamente o que ocorreu depois.
Leia também: O que aconteceria com a Terra se ela parasse de girar e por que uma interrupção repentina seria catastrófica
Como o HMS Terror foi encontrado 168 anos depois?
Durante décadas, exploradores tentaram reconstruir o destino dos navios. Relatos inuit preservaram informações sobre embarcações vistas após o abandono e sobre os locais onde posteriormente teriam afundado. Essas histórias foram essenciais para orientar buscas modernas realizadas com sonar, embarcações de pesquisa e arqueologia subaquática.
Em 2016, uma equipe da Arctic Research Foundation investigou a baía Terror após receber uma informação local sobre a possível presença de um naufrágio. A embarcação encontrada foi posteriormente identificada por mergulhadores do Parks Canada como HMS Terror, repousando a aproximadamente 24 metros de profundidade.
- A expedição partiu da Inglaterra em 1845.
- Os navios ficaram presos pelo gelo em 1846.
- Os sobreviventes os abandonaram em abril de 1848.
- O HMS Terror foi localizado em 2016.
- O naufrágio repousa a cerca de 24 metros de profundidade.
Este vídeo oficial do Parks Canada mostra o interior do naufrágio e revela o extraordinário estado de conservação dos compartimentos.
Por que o navio permaneceu tão bem preservado?
O ambiente da baía Terror teve papel decisivo. As águas frias diminuem diversos processos de deterioração, enquanto camadas de sedimento cobriram partes do interior. O Parks Canada explica que esse material cria condições com pouco oxigênio, capazes de favorecer especialmente a preservação de matéria orgânica, inclusive materiais tão frágeis quanto papel.
As imagens divulgadas em 2019 mostraram camas e mesas ainda posicionadas nas cabines dos oficiais, prateleiras contendo objetos e fileiras de pratos, tigelas e copos preservados. A cabine do capitão foi descrita pelos arqueólogos como o espaço mais bem conservado do convés inferior.
O navio está realmente intacto como parece nas imagens?
“Intacto” seria uma descrição forte demais para um naufrágio com mais de um século e meio. O casco sofreu deterioração e algumas estruturas externas foram perdidas ou deslocadas. Ainda assim, seu estado é excepcional para uma embarcação de madeira dessa idade, sobretudo porque muitos espaços internos permaneceram reconhecíveis e protegidos.
Em 2019, arqueólogos realizaram sete mergulhos com veículo operado remotamente e exploraram 20 cabines e compartimentos. Obtiveram imagens claras de mais de 90% do convés inferior, incluindo alojamentos da tripulação. O registro oficial do Parks Canada sobre essa exploração documenta como sedimentos e águas frias ajudaram a conservar o interior.

Que números mostram a dimensão da história do HMS Terror?
O intervalo entre o abandono documentado, em abril de 1848, e a descoberta em 2016 é de aproximadamente 168 anos. O próprio navio era ainda mais antigo: havia sido lançado em 1813 e já participara de operações militares e expedições polares antes da viagem final de Franklin.
Esses números também mostram por que a descoberta chamou tanta atenção. Não foi encontrado apenas o contorno de um casco deteriorado, mas uma espécie de cápsula arqueológica submarina capaz de preservar evidências potencialmente úteis para esclarecer uma das maiores histórias não resolvidas da exploração polar.
| Marco | Dado |
|---|---|
| Lançamento do navio | 1813 |
| Abandono pela tripulação | 22 de abril de 1848 |
| Descoberta do naufrágio | 2016 |
| Profundidade aproximada | 24 metros |
Por que essa descoberta pode ajudar a resolver o mistério da expedição?
A posição do naufrágio trouxe uma nova questão histórica. O Terror foi encontrado muito distante do ponto onde os homens disseram ter abandonado os navios em 1848, levantando a possibilidade de que ele tenha se deslocado posteriormente pelo gelo ou até sido novamente ocupado por integrantes da expedição. Até hoje, não existe consenso sobre a sequência exata dos acontecimentos.
Por isso, cada compartimento preservado pode conter informações relevantes. Documentos protegidos pelo sedimento seriam especialmente valiosos, caso algum seja encontrado em condições legíveis. Mais de 160 anos depois, o navio que desapareceu entre gelo e silêncio continua funcionando como uma cápsula do tempo, capaz de fornecer novas pistas sobre os últimos dias da expedição Franklin.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)