Flávio defende Valdemar e acusa PF de atuar de “forma seletiva”
Senador afirma que presidente do PL responderá aos questionamentos da investigação
O senador e pré-candidato à República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu em defesa do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta sexta, 10, no âmbito da investigação sobre emendas parlamentares.
Flávio afirmou que Valdemar saberá “dar todas as respostas aos pontos levantados” e acusou a PF estaria atuando “de forma seletiva para constranger um adversário político” do atual governo.
“Sobre a decisão de hoje do ministro Flavio Dino (STF) contra o presidente do meu partido, Valdemar Costa Neto (PL):
1. Tenho certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos levantados.
2. Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL.
3. Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo. A Polícia Federal, que diz não ter efetivo, nem recursos para investigar as denúncias contra Lulinha, filho do presidente Lula, mais uma vez mobiliza recursos para atacar adversários do presidente. Essa perseguição precisa parar.”
Dino manda bloquear R$ 119 milhões
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, mandou bloquear até 119 milhões de reais das posses de Valdemar Costa Neto.
Formalmente, foi determinada a “indisponibilidade de todo e qualquer ativo de titularidade de Valdemar” até esse valor.
A decisão foi tomada no âmbito da investigação sobre emendas parlamentares e trata dos desdobramentos do material coletado pela Operação Transparência, de dezembro de 2025.
Como descreve a Polícia Federal, a “operação centrou suas ações em torno da suspeita Mariângela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados que seria a responsável pela organização e encaminhamento das emendas do que se convencionou chamar de orçamento secreto”.
“No caso analisado, um não parlamentar, ex-deputado cassado, presidente de uma importante sigla do Congresso, dispõe dos serviços de Mariângela Fialek e de outros servidores da Câmara dos Deputados para destinar recursos conforme seus interesses, em sintomas inequívocos do cometimento dos crimes de peculato. A extração e análise de dados do aparelho de Mariângela Fialek indicam a existência de um arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas, no qual Valdemar Costa Neto, presidente do PL, mas desprovido de mandato, aparece como vetor de definição e remanejamento de emendas”, dizem os investigadores.
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Valdemar
“Das pesquisas realizadas, foram identificadas pelo menos 21 emendas parlamentares, num total de R$ 119 milhões, que foram empenhadas ou pagas e que, nesse cenário, foram forjadamente documentadas para escamotear o verdadeiro solicitante da indicação”, diz trecho da investigação mencionado por Dino para justificar a imposição do bloqueio.
“O fato de que um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público é gravíssimo e materializa o que de mais nefasto há em termos de desvios envolvendo o tema do orçamento secreto”, dizem os investigadores, acrescentando:
“Se tomarmos o mais condescendente dos quadros, e considerarmos os desvios “apenas” das emendas já pagas, temos uma consolidação de um desvio de R$ 104 milhões.”
Emendas
Dino também deferiu a suspensão imediata da execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas indicadas na representação policial, “estejam elas em fase de empenho, liquidação ou pagamento”.
“Determino que a Advocacia Geral da União (AGU) promova a comunicação formal de todos os municípios beneficiários acerca da suspensão determinada, apresentando nestes autos, no prazo de 10 (dez) dias corridos, compilação dos comprovantes de ciência e das respostas eventualmente fornecidas”, diz a decisão.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também tem dez dias para apresentar “todos os documentos de tramitação interna das emendas identificadas pela representação da autoridade policial, de modo individualizado e organizado por emenda”.
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