“Fechou o valor do presidente Valdemar?”
Segundo a PF, Garigham Amarante Pinto atuava como "verdadeiro emissário" do presidente do PL, Valdemar Costa Neto
O ministro do STF Flávio Dino apontou diálogos entre a ex-assessora parlamentar de Arthur Lira (PP-AL) Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, e Garigham Amarante Pinto, advogado com cargo especial na liderança do PL de Jair Bolsonaro, como um dos principais indícios de que o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, exercia influência direta sobre a destinação de emendas parlamentares, embora não tivesse mandato eletivo.
Como mostramos mais cedo, Dino mandou bloquear até 119 milhões de reais das posses de Valdemar Costa Neto, que seriam fruto do suposto indicamento irregular de emendas parlamentares.
Durante as investigações, a Polícia Federal descreve Garigham Amarante Pinto como um dos principais interlocutores de Valdemar na negociação de recursos orçamentários.
Segundo a PF, Garigham atuava como “verdadeiro emissário” do dirigente partidário, intermediando reuniões, transmitindo orientações e negociando valores das emendas com Mariângela.
A corporação afirma que ele participava “ativamente da negociação dos valores globais das indicações, das áreas prioritárias e do momento oportuno para sua formalização”.
Um dos diálogos destacados pela decisão ocorreu em agosto de 2025. Após informar que havia marcado uma reunião com Valdemar, Garigham escreveu a Mariângela:
“Marquei com o Valdemar amanhã 10:30”.
Em seguida, ele acrescenta:
“Acho que ele vai jogar no turismo os 24 [milhões]. Pode ser?”.
A servidora respondeu que verificaria a possibilidade de concentrar os recursos na área. Em seguida, Garigham reforçou:
“Pode colocar o máximo que der. Ele [Valdemar, segundo a PF] tá querendo Turismo”.
No dia seguinte, segundo a decisão, ocorreu a conversa considerada pela Polícia Federal um dos principais elementos da investigação.
Garigham perguntou:
“Fechou o valor do Pres Valdemar?”
Mariângela respondeu:
“Se puder trocar tudo turismo ótimo”.
Na sequência, Garigham escreveu:
“24 milhões tá bom”.
Para a PF, a troca de mensagens indica que ambos discutiam a definição do montante de recursos reservado ao presidente do PL e sua concentração em emendas destinadas ao Ministério do Turismo.
“A espantosa ascendência que alguns servidores da Câmara dos Deputados parecem atribuir ao investigado VALDEMAR COSTA NETO contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público, sejam quais forem os valores, sejam quais forem os seus destinatários”, descreve o ministro Flávio Dino na decisão.
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