Ex-ministro aponta erro de Moraes, mas descarta “regime de exceção”
"O que me deixa perplexo é essa competência alargada do STF", ponderou Marco Aurélio Mello
O ex-ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira, 8, que há erro na forma como o ministro Alexandre de Moraes conduz o processo que apura uma tentativa de golpe de Estado no país. No entanto, ele discorda da opinião de que o Brasil vive “um regime de exceção”.
O ministro também alertou para a “competência alargada” do STF.
“Claramente, nós vivemos em Estado de Direito. Sob a minha ótica, ele [ministro Alexandre de Moraes] está errando a mão na condução desse processo, mas não vivemos um regime de exceção. O que me deixa perplexo é essa competência alargada do STF. Não faz parte das competências da Corte julgar ex-presidente, ex-deputado, ex-ministro do próprio Supremo”, disse Mello.
O comentário, feito à Folha de S.Paulo, ocorre no dia após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmar em um ato bolsonarista na Avenida Paulista que “ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”.
“Por que vocês estão gritando isso? Talvez porque ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”, disse Tarcísio ao ouvir o público gritar “Fora, Moraes”. Ele afirmou ainda que os réus da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado são “presos políticos”.
“A Justiça vai se reestabelecer. Eu tenho certeza que nós vamos fazer Justiça para o Bolsonaro. Eu tenho certeza que os presos políticos vão ser libertos porque o bem vai vencer o mal. Nós não vamos aceitar que nenhum ditador diga o que a gente tem que fazer.”
“Divã”
Mello tem criticado a forma com a qual Moraes conduz os processos no STF.
Ele chegou a afirmar que seria necessário recorrer à psicanálise para entender o que está por trás das decisões do ministro.
“Eu teria que colocá-lo em um divã e fazer uma análise talvez mediante um ato maior, e uma análise do que ele pensa, o que está por trás de tudo isso. O que eu digo é que essa atuação alargada do Supremo, e uma atuação tão incisiva, implica desgaste para a instituição… A história cobrará esses atos praticados”, declarou o ex-ministro e ex-presidente da Corte.
“Ele (Moraes) proibiu, por exemplo, diálogos. Mordaça, censura prévia, em pleno século que estamos vivendo. É incompreensível”, acrescentou.
Para o ex-ministro, a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro começou de maneira equivocada e não deveria estar sob responsabilidade do Supremo.
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