“Estou convicto de que indiciamentos serão levados adiante”, diz relator da CPMI
Relatório apresentado por Alfredo Gaspar no colegiado pede o indiciamento de Lulinha e outras 215 pessoas, e foi entregue ao STF
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi o relator da CPMI do INSS, disse em entrevista O Antagoista exibida nesta terça-feira, 21, que tem “plena convicção” de que os dados e os pedidos de indiciamento presentes no relatório que apresentou no colegiado serão levados adiante pelos investigadores da Polícia Federal (PF).
O relatório de Gaspar pede o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – filho do presidente Lula (PT) -, por envolvimento nos descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
Embora a oposição ocupasse cargos-chave na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a base governista conseguiu maioria e, no último sábado, 28, derrubou o texto do relator por 19 votos a 12. A CPMI do INSS foi concluída sem um relatório final aprovado.
Mesmo assim, na semana passada, Gaspar e o senador Carlos Viana (PSD-MG), que foi o presidente do colegiado, entregaram o documento do relator pessoalmente aos ministros Luiz Fux e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Fizemos questão de irmos ao STF para repassarmos essa imensidão de provas e dados que estão contidas nas investigações da CPMI do INSS. Lá, a base do governo impediu a aprovação do relatório. Nós já sabemos de que forma o governo atuou para impedir o avanço das investigações. Mas, sob a relatoria do ministro André Mendonça, eu tenho plena convicção que os dados contidos e os indiciamentos propostos serão levados adiante pela equipe de investigação da PF“, disse Gaspar na entrevista a este portal.
“Foi por esse motivo, para que esses dados, esses indiciamentos e essas provas não se perdessem nas gavetas do Congresso, que nós levamos o conjunto probatório em mãos para o ministro André Mendonça, relator do roubo do INSS, e para o ministro Luiz Fux, que foi outro integrante do STF que reconheceu a relevância das investigações”.
Gaspar ainda criticou o relatório paralelo que a base governista elaborou na CPMI do INSS.
“Posso fazer uma comparação básica. Vamos ver o relatório que atinge mais governos. Faça uma comparação. Vamos ver os ministros de governos anteriores e do atual governo, estão presentes em qual relatório? Quatro parlamentares federais foram citados e indiciados em qual relatório? Empresários, sistema financeiro, estão indiciados em qual relatório?”, falou o parlamentar.
“O governo continuou na sua marcha de blindagem, fazendo um relatório de araque, com uma narrativa única para apontar uma direção na responsabilidade do governo anterior, e esqueceu de demonstrar a participação de parlamentares, do sistema financeiro e do atual governo, onde os descontos associativos e os empréstimos consignados explodiram”.
Segundo o congressista, os 216 indiciamentos que propôs em seu relatório foram baseados nas provas colhidas. Ele explicou que entregará o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR) também e que Fux e Mendonça se comprometeram a acionar a estrutura de investigação da União a partir do relatório.
Ataques
Gaspar afirmou que está sendo vítima de ataques por sua atuação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Ele citou como exemplo a acusação feita pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) de que ele praticou estupro de vulnerável.
“Olha, eu já estou sendo vítima de represália criminosa. Enquanto eu estava lendo o indiciamento e o pedido de prisão do filho do presidente da República, dois criminosos parlamentares me acusaram de um crime sexual que nunca existiu”, declarou.
“Eu não tenho a quem me socorrer. Fiz a queixa-crime contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. Caiu na mão de quem? De Gilmar Mendes. O Gilmar Mendes já expressou que não tem nenhum apreço a mim. Agora, eu vou pedir suspeição ou impedimento? Não. Eu vou deixar a Justiça do meu Brasil mostrar a sua cara. Ataques eu já estou sofrendo, mas com a coluna moral ereta, porque quando assumi a relatoria da CPMI do INSS, eu fui lá em nome do povo brasileiro”, disse o deputado, que é pré-candidato ao Senado por Alagoas.
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