“Ele debocha da CPMI”, diz Moro sobre “Careca do INSS”
Lobista não detalhou quais ativos adquiriu com pagamento milionário para empresas de esposa de ex-procurador-geral do INSS
A sessão da CPMI do INSS para ouvir o lobista e empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“, foi suspensa por dez minutos, na tarde desta quinta-feira, 25, após os senadores Fabiano Contarato (PT-ES) e Sergio Moro (União-PR) manifestarem insatisfação com a resposta do depoente a um questionamento do petista.
Contarato ressaltou que as empresas de Antunes realizaram pagamento de 7,5 milhões de reais para empresas de Thaisa Hoffmann Jonasson, esposa do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Filho, e quis saber qual o serviço prestado por estas ao depoente.
“Compra de ativos. Ativos produzidos por intelecto dela”, respondeu Antunes. Contarato, então, perguntou no que consistiam esses ativos. O depoente respondeu que se tratava de material da área médica voltado para um futuro projeto que ele tem para um aplicativo.
“Ele debocha dessa comissão“, rebateu Moro. Na sequência, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que o depoente tem o direito de responder da maneira que achar melhor, mas Moro prosseguiu: “Ele veio aqui e disse que iria ser honesto e está querendo debochar?!”.
Em seguida, Contarato também criticou a resposta de Antunes: “É subestimar a capacidade intelectual dessa comissão. Nós temos aqui uma comprovação e interligação dessas empresas. Ele recebe uma procuração da Ambec para celebrar ACT, no mesmo ano em que a Ambec salta de 135 reais pra 16 milhões de reais. Coincidentemente, a Ambec transfere para a empresa dele, Prospect, de 11 milhões, depois ele repassa para a Thaisa e ele vem falar em ativos? Não tem como”.
“Ele não consegue descrever, presidente. Que ele descreva esses ativos. Ele não conseguiu minimamente”, pontuou Moro. Diante das críticas, Viana suspendeu a sessão.
Procuração da Ambec
Contarato demonstrou durante a oitiva que, em março de 2022, o Careca do INSS recebeu procuração da Ambec conferindo a ele poderes junto ao INSS com vistas a representar a entidade com o objetivo de celebração de aditivo contratual em razão de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a entidade e o Instituto.
“Olha a coincidência. Em março de 2022, o senhor recebe a procuração da Ambec para celebrar ACT, e aí aquela Ambec que tinha um rendimento de 135 reais no início do ano passa a ter 16 milhões de reais de rendimento. Foi isso que aconteceu”, pontuou o senador.
“O senhor recebe a procuração em março de 2022, da Ambec, para celebrar ACT no INSS, explode de 135 para 16 milhões, e foi justamente no mesmo ano, no período, que uma das empresas do senhor, que é a Prospect, recebe também… a Ambec transferiu 11 milhões de reais para a Prospect“.
Ele prosseguiu: “A Prospect vem de prospecção, de coleta, de captação de clientes. Então, veja, o senhor recebe em 2022 a procuração da Ambec para celebrar ACT, que até então o senhor falava que não tinha esse poder, e aí a procuração está dizendo isso”.
Diante das constatações, o depoente salientou que a procuração era para que pudesse celebrar um aditivo contratual e que é “muito simples” constatar sua atuação em favor da Ambec enquanto a procuração estava vigente. “É só verificar a movimentação nos processos SEI. Lá estarão registradas todas as movimentações financeiras”, acrescentou.
A Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec) é uma das entidades investigadas pela Polícia Federal (PF) por suposta realização de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
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