Diretor articulou proteção de “responsável por degradação da Abin”, diz PF
Chefe da agência foi indiciado pela criação de um suposto núcleo de proteção ao ex-número 3 da agência
O relatório final da Polícia Federal (PF) da investigação sobre a chamada ‘Abin Paralela’ apontou que o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, articulou a proteção do ex-número 3 da agência, Paulo Maurício Fortunato Pinto, um dos “principais responsáveis pela degradação da Abin”, de investigação sobre uma “organização criminosa instalada no órgão”.
De acordo com o documento, Corrêa “participou de reuniões de cúpula, teve acesso a informações sigilosas e realizou ações que notadamente tiveram o intento obstruir a investigação sobre a organização criminosa instalada no órgão”.
Segundo a PF, a “primeira ação, ainda no exercício ilegal do cargo”, foi a de minimizar o escândalo do uso clandestino da ferramenta FirstMile, afirmando que ‘a montanha vai parir um rato’.
O relatório indicou que, em 2023, Corrêa se encontrou com Paulo Maurício e o ex-diretor adjunto da agência, Alessandro Moretti, para “embaraçar a investigação”.
“Alegou-se que a entrega dos nomes à PF seria necessária para ‘evitar busca e apreensão’ e ‘baixar a fervura’, atribuindo à autoridade policial a intenção de prejudicar os servidores. (…) Estabeleceram-se ‘acordos e entendimentos internos’, criando-se uma comissão para ‘participar das decisões junto com a direção geral’ e ‘construir uma estratégia de defesa em conjunto’, visando unificar discursos e impedir colaborações espontâneas”, diz trecho.
A investigação apontou que o alto escalão “agiu para controlar as oitivas e garantir que os servidores não colaborassem com a apuração.”
Corrêa foi indiciado pela Polícia Federal por impedir ou embaraçar a investigação.
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