Dino suspende quebra de sigilo de Lulinha
Decisão do ministro do STF será estendida a outras cinco pessoas cujos nomes estão protegidos por segredo de Justiça
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta quinta-feira, 5, a decisão da CPMI do INSS que determinou as quebras dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de outros investigados.
Na quarta, 4, Dino já havia proferido uma sentença anulando a quebra dos sigilos da empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente Lula (PT). A nova decisão também abrange outras seis pessoas, cujos nomes estão protegidos por segredo de Justiça.
“Como equivocadamente houve a votação ‘em globo’ em um único momento na Sessão do dia 26 de fevereiro de 2026, é impossível – inclusive em face do princípio lógico da não contradição – que o referido ato seja nulo para alguns e válidos para outros. Tal situação geraria insegurança jurídica e intermináveis debates”, diz trecho.
Na decisão, Dino ponderou que, caso a CPMI queira votar os requerimentos de quebra de sigilos novamente, deve realizar de maneira individualizada.
“Com esta decisão, todas as petições já protocoladas perdem o objeto e são desnecessárias outras similares de demais interessados, evitando-se o indesejável efeito multiplicador. Oficie-se ao Exmo. Presidente da CPMI, bem como ao Ministro de Estado da Fazenda, ao Secretário da Receita Federal e ao presidente do Banco Central, para ciência e cumprimento”, continua.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito investiga o esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Movimentações de Lulinha
As quebras de sigilos bancário e fiscal de Lulinha mostram que apenas em um dia o empresário movimentou, em suas contas R$ 967 mil em um único dia. Os dados levam em consideração tanto créditos quanto débitos.
Como mostramos, ao todo, as movimentações bancárias de Lulinha, em uma única conta do BB Estilo, somaram R$ 19 milhões ao longo de quatro anos.
A mega movimentação de Lulinha ocorreu em 24 de maio de 2024. Naquele dia, o filho do presidente Lula recebeu R$ 487 mil fruto de um resgate de um título de LCA (Letra de Crédito Agrícola). Esse recurso passou pela sua conta corrente e depois houve um débito de R$ 480 mil desse valor. O extrato bancário de Lula não fez referência para onde foram esses recursos.
Registros bancários também registram que Lulinha, realizou transferências que somam R$ 750 mil ao empresário Kalil Bittar, alvo de apuração da Polícia Federal por suposta atuação de lobby no Ministério da Educação.
Os registros indicam que os pagamentos ocorreram entre janeiro de 2024 e outubro do ano passado, com transferências de R$ 50 mil por mês. O último repasse identificado ocorreu em 27 de outubro de 2025. Pouco tempo depois, Bittar passou a figurar entre os investigados em operação da PF que apura suspeitas de intermediação irregular de recursos públicos vinculados a programas educacionais.
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Comentários (4)
André Miguel Fegyveres
06.03.2026 09:14Flávio Dino está preocupado com insegurança jurídica mas e a roubalheira desenfreada no INSS, Banco Master, Correios, Banco do Brasil, Petrobrás, etc. etc. etc...? A CPMI não pode esmorecer, façam, por favor e pelo bem da Nação, os requerimentos um a um, fazendo as petições individualizadas, em distintos momentos das diversas Sessões mantendo os requerimentos e petições de todos os envolvidos. Pôxa Flávio Dino, que vergonha defender essa corja de corruptos com firulas jurídicas! E o Brasil, como fica? A função primordial do STF é defender a Democracia, doa a quem doer.
Angelo Sanchez
06.03.2026 06:45Este é um Supremo Tribunal de um país derrotado por mafiosos que se apoderaram do poder, depois da eleição de um “descondenado” e a prisão de Bolsonaro que contestou as eleições, pode-se deduzir que os mafiosos se protegem. Virou fumaça o estado democrático de direito no Brasil.
Andre Luis dos Santos
05.03.2026 21:23Raimundo disse tudo. Claro que essa decisão do "supremo" ministro não surpreende ninguém.
Raimundo Raffaelli Filho
05.03.2026 20:37Uma única pessoa, ligada ao pai do interessado, anula o trabalho de uma comissão mista (Senado e República). É a defesa do estado democrático de direito. Ato muito republicano.