Dino dá 10 dias para governo se manifestar sobre entraves no rastreio de emendas
Despacho do ministro veio após audiência de contextualização para propiciar debate sobre estudos científicos que tratam de emendas
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta terça-feira, 19, que a ministra da Gestão, Esther Dweck, se manifeste sobre os obstáculos hoje existentes à identificação, por meio da plataforma Transferegov.br, das entidades privadas sem fins lucrativos destinatárias de recursos oriundos de emendas parlamentares. O magistrado deu prazo de dez dias úteis para o envio da manifestação.
No período, Dweck deverá ainda se manifestar sobre os obstáculos à identificação da destinação final conferida aos valores recebidos pelas entidades.
Além disso, o ministro deu prazo de 15 dias úteis para que a Advocacia-Geral da União (AGU) informe se houve ou não a submissão correta das emendas destinadas à área da saúde, cujas destinatárias tenham sido instituições privadas sem fins lucrativos, no recorte temporal de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo foi denominado “Emendas parlamentares ao orçamento federal do Sistema Único de Saúde: 2014-2024”.
No mesmo prazo, a AGU deverá apresentar a relação dos ministérios setoriais que dispõem de cartilha (ou similar) destinada a subsidiar parlamentares na indicação de emendas, apontando aqueles que ainda não possuem esse instrumento; e informar a existência de mecanismos de monitoramento e
avaliação de políticas públicas voltados à aferição da eficiência da aplicação de recursos oriundos de emendas, especificando, em relação a cada ministério, a estrutura e a sua forma de funcionamento.
Além disso, Dino manda o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, se manifestar no prazo de 10 dias úteis sobre “portarias-cardápio”, no que se refere à superação de generalidades, heterogeneidades e assimetrias entre ministérios quanto à definição dos objetos das emendas coletivas.
Segundo o ministro, as determinações tem o propósito de fortalecimento da transparência, da rastreabilidade e da eficiência e planejamento na destinação dos recursos oriundos de emendas, e levam em consideração as informações colhidas em audiência de contextualização.
Dino havia convocado uma audiência para propiciar “o amplo debate“ sobre estudos científicos que tratam de emendas parlamentares, e ela foi realizada no último dia 13 de maio.
Nela, diz o ministro, foram evidenciados os avanços já alcançados em matéria de transparência e rastreabilidade das emendas, mas também identificadas fragilidades remanescentes que revelam a necessidade de aperfeiçoamento do modelo atualmente em implementação.
“Tal como é inconcebível que não se conheça a trilha percorrida pelo dinheiro público em virtude de déficits de transparência e rastreabilidade, também não é aceitável que sua aplicação resulte em obras inacabadas, serviços descontinuados, equipamentos públicos abandonados ou iniciativas incapazes de produzir benefícios concretos e duradouros à população, em afronta aos princípios do planejamento e da eficiência”, pontua Dino no despacho.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)