Deputado da oposição será relator da PEC da Segurança Pública
Motta anunciou Mendonça Filho (União-PE) para a relatoria em comissão especial; colegiado será presidido por Aluísio Mendes
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quarta-feira, 3, que o deputado Aluísio Mendes (Republicanos-MA) será o presidente da comissão especial que analisará a chamada PEC da Segurança Pública, e Mendonça Filho (União-PE) será o relator da proposta no colegiado.
“São parlamentares com ampla experiência na área, o que garantirá um debate técnico e qualificado. A segurança pública é uma prioridade desta Casa e do povo brasileiro“, acrescentou Motta, em publicação no X.
A PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em julho e, agora, terá seu mérito analisado. Mendonça Filho foi o relator na CCJ também, e o texto foi aprovado na forma como ele sugeriu.
O parlamentar votou pela admissibilidade da PEC, mas com duas modificações em relação à versão original, enviada pelo governo ao Congresso em abril deste ano.
A primeira delas diz respeito ao trecho segundo o qual compete privativamente à União legislar sobre normas gerais de segurança pública, defesa social e sistema penitenciário; o relator propôs a retirada desse ponto.
Segundo o deputado, o trecho conflitava com “o pacto federativo, com a autonomia dos estados e o espírito de atuação concorrente entre estados e União, tendo a colaboração também dos municípios, no que diz respeito à política de segurança pública”.
A outra modificação que sugeriu foi no ponto segundo o qual “a polícia viária federal, no exercício de suas competências, não exercerá funções inerentes às polícias judiciárias nem procederá à apuração de infrações penais, cuja competência é exclusiva da polícia federal e das polícias civis, assegurada, na forma da lei, a atividade de inteligência que lhe é própria”.
Mendonça Filho propôs a retirada da palavra “exclusiva“. O congressista argumentou que, da forma como estava, o dispositivo afrontava o devido processo legal, o princípio da separação de Poderes e a independência funcional do Ministério Público, cerceava a atuação investigativa de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e, indiretamente, enfraquecia a proteção dos direitos e garantias individuais e do próprio Estado Democrático de Direito.
O que prevê a PEC?
A Proposta de Emenda à Constituição dá status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), de forma parecida ao que acontece com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com o Sistema Nacional de Educação (SNE).
Além disso, transforma a Polícia Rodoviária Federal em Polícia Viária Federal, que fará o policiamento ostensivo em rodovias, ferrovias e hidrovias federais; formaliza o papel das Guardas Municipais no policiamento ostensivo e comunitário; e estabelece órgãos autônomos de correição, com a função de apurar a responsabilidade funcional dos profissionais de segurança pública e defesa social.
A comissão especial para analisar o mérito do texto ainda será instalada.
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