Depoente apontado como sócio do “Careca do INSS” nega relação com lobista na CPMI
Rubens Costa não prestou compromisso de falar a verdade na comissão e compareceu com habeas corpus garantindo direito ao silêncio
Ex-diretor financeiro de empesas do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes – o “Careca do INSS“ -, Rubens Oliveira Costa disse nesta segunda-feira, 22, que nunca foi sócio do Careca em alguma empresa, ao contrário do que apontam as investigações da PF sobre o esquema de descontos irregulares. Rubens foi convocado pela CPMI do INSS e presta depoimento na condição de testemunha.
Ele compareceu com um habeas corpus concedido pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que garante a ele o direito de permanecer em silêncio sobre fatos que possam implicar em sua autoincriminação. Além disso, se recusou a prestar o compromisso de dizer a verdade na comissão.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ressaltou que se for constatado que ele está mentindo na condição de testemunha, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), poderá decretar a prisão em flagrante por falso testemunho.
Rubens disse que atua na área consultoria empresarial e gestão financeira desde 2013. “Ao longo desses anos, venho conduzindo uma trajetória profissional pautada na ética, no profissionalismo e na dedicação ao desenvolvimento de empresas que confiam em meu trabalho”.
Segundo ele, seus serviços visam a implantação de iniciativas de valor, com foco na gestão administrativo-financeira, na avaliação de empresas e no gerenciamento de projetos.
“Jamais fui sócio de qualquer empresa ao lado do senhor Antônio Camilo, atuei em apenas quatro de suas empresas no papel de administrador financeiro, e nada além disso. Fui contratado como funcionário pelo senhor Antônio, recebendo salário. Jamais recebi qualquer comissão ou dividendos, o qualquer outra remuneração além do salário combinado. Exceto nos últimos quatro meses de trabalho, onde recebi uma pequena gratificação em razão do aumento da carga de trabalho”, afirmou.
“Desconheço os motivos pelos quais relatórios, investigações ou inquéritos me apontam como sócios de algumas das empresas investigadas. Talvez isso se deva ao fato de eu ter figurado como administrador financeiro nos estatutos sociais. Repito: jamais fui sócio de qualquer empresa ligada ao senhor Antônio nem de qualquer outra empresa citada nas investigações. Jamais ordenei, operei ou participei conscientemente do pagamento de qualquer propina”.
O depoente falou ainda que deixou o cargo de administrador financeiro no início de 2024, antes de ter conhecimento da existência de inquéritos criminais envolvendo seu nome.
“Atualmente, não trabalho para qualquer empresa que mantenha relação de qualquer natureza com o INSS. Desde o início das investigações, tenho me apresentado à justiça e permanecendo à sua disposição. Ainda assim, todas as minhas contas se encontram bloqueadas”.
Desde antes do início dos inquéritos, não estaria mantendo qualquer relação com o Careca do INSS, por se sentir “lesado pelas devastadoras consequências” de ter se envolvido profissionalmente com ele. O depoimento prossegue. Na próxima quinta-feira, a CPMI deve ouvir o próprio lobista.
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