Delegado Caveira e advogado do “Careca do INSS” discutem na CPMI: “Cala a boca”
A confusão ocorreu após o parlamentar chamar Cleber Lopes de "péssimo advogado"; Zé Trovão já havia discutido com ele também
O deputado federal Delegado Caveira (PL-PA) e o advogado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, Cleber Lopes, protagonizaram um bate-boca no final da oitiva do “Careca do INSS” na CPMI que investiga o esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A confusão ocorreu após o parlamentar chamar Cleber de “péssimo advogado”.
“O advogado dele, a princípio falaram ‘olha, um advogado muito bom, está pago por lobistas, sabe lá de onde vem o dinheiro’. Para mim é um péssimo advogado, que só fez tumultuar aqui essa…”, falou o deputado, sendo interrompido por Cleber, que se sentiu desrespeitado.
“Cala a boca, cala a boca, deixa eu falar, respeita a minha palavra“, disse o Delegado Caveira na sequência.
“Quem o senhor acha que é? Eu sou advogado. Não sou estagiário de vossa excelência, não. Se comporte como parlamentar“, rebateu o profissional.
O deputado seguiu mandando Cleber calar a boca. “Não calo. Não calo”, afirmou o advogado. “Não há hierarquia entre advogado e deputado“, pontuou.
Depois que os ânimos se acalmaram, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), fez Caveira se comprometer a não mais se referir ao advogado para continuar com seu tempo de fala.
Mais cedo, o deputado Zé Trovão (PL-SC) já havia batido boca com Cleber Lopes na comissão. O episódio levou a OAB-DF a prestar solidariedade ao profissional e anunciar que acionará a Mesa Diretora da Câmara e a do Senado.
Depoimento do lobista
Em uma exposição inicial na comissão, negou que tenha tentado obstruir investigações da Operação Sem Desconto, da PF, defendeu a atuação de sua empresa Prospect e disse não ter relação com os descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
“O maior interessado no esclarecimento integral dos fatos sou eu e ainda assim fui submetido a uma medida extremamente grave [prisão preventiva], baseada em premissas absolutamente equivocadas”, declarou.
“No que diz respeito às circunstâncias que culminaram na decretação da minha prisão preventiva, gostaria de esclarecer, para que todos os brasileiros saibam, e para que essa versão também circule na mídia, que o indivíduo com quem mantive relações comerciais, insatisfeito, após reiteradas tentativas de extorsão frustradas e, inclusive, após ter furtado veículos de minha propriedade, fato esse devidamente registado na Polícia Civil de São Paulo, onde já houve decisão determinando a restituição dos bens, dirigiu-se à PF e apresentou uma série de inverdades”.
Ele prosseguiu: “Alegou falsamente que estaria tentando obstruir investigações da operação em desconto. Isso significa que as premissas que fundamentaram a minha prisão preventiva chegaram ao conhecimento do ministro André Mendonça de forma absolutamente equivocada e baseada em informações mentirosas. É preciso afirmar com toda a firmeza que jamais tentei obstruir qualquer investigação“.
Segundo o depoente, desde o início, constituiu uma defesa técnica, exatamente para manter diálogo constante com os órgãos de persecução.
“Desde a deflagração da Operação Sem Desconto, a mídia constituiu um personagem para tentar atribuir-me a responsabilidade por supostos crimes. Ocorre, entretanto, que tal narrativa não corresponde à verdade dos fatos, nem à minha verdade pessoal, nem àquela que muitos dos senhores aqui conhecem”, declarou.
Sobre a Prospect, pontuou que, desde sua criação, a empresa “sempre pautou sua atuação dentro dos limites da legalidade, com registros contábeis, transparentes, contratos formais e estrito cumprimento das obrigações fiscais e trabalhistas“.
Nunca foi, em suas palavras, “esse personagem fictício, o chamado ‘Careca do INSS’”. “Rótulo criado pelo senhor [advogado] Eli Cohen, que induziu pessoas de bem, veículos de comunicação respeitados, profissionais de imprensa e toda a sociedade em acreditar em uma narrativa fantasiosa”.
Narrativa esta, disse, “construída a partir de uma leitura superficial e de e-mails trocados entre duas entidades privadas”. “Tais senhores tiveram a coragem de comparecer perante esta CPMI para difamar, sem qualquer prova, instituições sérias, empresas idôneas, sindicatos, e o poder de polícia do estado de SP, o Deic, o Gaeco, e diversos empresários. Fizeram, ao meu ver, simplesmente porque não lograram êxito em seus verdadeiros objetivos, que, ao que tudo indica, tinham contornos de tentativa de extorsão”.
Em outro momento do depoimento, ele afirmou que só esteve em uma unidade do INSS na década de 1980, quando tinha 16 anos e era office boy. No Ministério da Previdência Social, teria estado em apenas duas ocasiões.
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Comentários (1)
Annie
25.09.2025 20:41Da pra conter nos dedos de uma mão os parlamentares que tem educação e respeito. A maioria só faz feiúra como dizia minha avó