Crusoé: Xerife suspeito
Conversas com Vorcaro apontam que Alexandre de Moraes pode ter cometido advocacia administrativa, entre outros crimes. E mais: Brigadeiro indigesto e Censura em campanha
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes cita frequentemente a necessidade de uma “democracia defensiva” ou “democracia militante”, com o uso até mesmo de remédios amargos contra ameaças para preservar as instituições.
É o que se convencionou chamar de Direito Xandônico, que inclui métodos como censura, intimidação, submissão dos juízes de primeira instância, invenção de crimes não previstos na legislação, desprezo pelos juízes naturais e discursos heróicos para a imprensa chapa-branca.
Para observadores atentos, a atuação de Moraes já demonstrava que a democracia é que precisava se defender de Xandão, e não o contrário.
A quebra de sigilo das investigações do Banco Master na terça, 1º de setembro, feita pelo ministro André Mendonça, reforçou essa sensação.
As dezenas de mensagens entre o juiz e o banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele pode ter cometido diversos crimes, como advocacia administrativa, obstrução de Justiça e corrupção passiva.
Seu futuro e a credibilidade do STF agora dependem das atitudes que os demais integrantes da Corte tomarão nos próximos dias, dizem Duda Teixeira e Wilson Lima em “Xerife suspeito”, reportagem de capa da nova edição de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na matéria “Brigadeiro indigesto”, Wal Lima conta que o livro Eu disse não! Uma trincheira antigolpista, escrito pelo ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior, dá um gosto amargo à celebração bolsonarista do 7 de Setembro.
O militar decidiu estragar a confeitaria política da família Bolsonaro com revelações que colocam em xeque a versão oficial sobre os bastidores da tentativa de golpe de 2022.
Em “Censura em campanha”, Guilherme Resck fala sobre a decisão heterodoxa do ministro Dias Toffoli, do TSE, envolvendo Renan Santos (Missão).
A suspensão da campanha prejudicou o candidato à Presidência no momento em que ele crescia nas pesquisas.
Colunistas
Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.
Nesta edição, escrevem Roberto Reis (O fenômeno Cury ainda não é maior que a polarização), Letícia Barros (Renan Santos e o Judiciário que dita o algoritmo), Leonardo Barreto (A burocratização do mal), Dennys Xavier (Supremo escárnio), Maristela Basso (O Brasil de cabeça para baixo), Márcio Coimbra (Geopolítica da inteligência artificial), Wilson Pedroso (Quando quem investiga vira personagem da própria investigação), Clarita Maia (Quem representa os judeus?), Josias Teófilo (Por que as plateias estão vazias?) e Rodolfo Borges (A paz sombria dos estádios).
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