Globo manda embora executivo após decisão sobre Copa abrir caminho para SBT e CazéTV
Manuel Belmar virou alvo nos bastidores após emissora abrir mão da exclusividade do Mundial e perder espaço para SBT e CazéTV
A Globo demitiu Manuel Belmar no começo da noite desta quinta-feira (3). O executivo, responsável pelas áreas de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura, virou alvo interno após a estratégia adotada para a Copa do Mundo de 2026. Nos bastidores, ele foi responsabilizado pelo fracasso da emissora ao abrir mão da exclusividade de transmissão da competição.
A informação da demissão foi adiantada pela Veja. Segundo a publicação, a avaliação dentro da Globo é que a decisão permitiu que concorrentes ganhassem espaço com o Mundial. SBT e CazéTV foram os principais beneficiados pela estratégia atribuída ao executivo. O caso ganhou peso nos corredores da empresa, onde funcionários chegaram a afirmar que Belmar “merecia justa causa” pelo tamanho do erro cometido na negociação dos direitos da competição.
Executivo não admitiu erro para comitê de acionistas da Globo
Manuel Belmar não reconheceu o erro em nenhum momento. Internamente, também houve quem considerasse tardia a saída do executivo diante da gravidade da decisão. A avaliação era de que “demorou bastante” para a Globo tomar uma providência. A demissão encerra uma longa passagem do profissional por diferentes áreas estratégicas do grupo, iniciada ainda no começo dos anos 2000.
Nascido em Lisboa, em 29 de novembro de 1964, Manuel Luís Roquete Campello Belmar da Costa mudou-se para o Brasil com a família em 1975. Antes de entrar no Grupo Globo, trabalhou no Banco Real e no Banca Nazionale del Lavoro. Chegou à Infoglobo em fevereiro de 2003, onde atuou na tesouraria e depois assumiu a diretoria financeira.
Em 2009, Belmar seguiu para a Globosat como diretor financeiro e passou a cuidar também da área de gestão. Nos anos seguintes, acompanhou a expansão da operação, a criação do serviço Muu, posteriormente chamado Globosat Play, e grandes eventos esportivos. O executivo também participou dos preparativos para o projeto Uma Só Globo, concluído em janeiro de 2020.
Em setembro de 2019, ele assumiu a direção de finanças, jurídico e infraestrutura da Globo. A lista de atribuições cresceu em fevereiro de 2022, quando passou a comandar também a Agenda ESG. Dois anos depois, recebeu outra área estratégica: tornou-se head de produtos digitais, com responsabilidade sobre Globoplay, G1, GE, Gshow, Globo.com, Cartola, canais pagos e Globo Filmes.
Manuel Belmar era defensor de avanço tecnológico da empresa
A atuação de Belmar recebeu reconhecimento em 2025, quando o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças o escolheu como executivo do ano e concedeu o prêmio O Equilibrista. Naquele período, o Globoplay completou dez anos com crescimento de 42% na base de assinantes e avanço de 86% na receita publicitária, resultados associados às iniciativas digitais adotadas pela empresa.
Antes da demissão, Belmar defendia que o conteúdo permanecia como principal ativo da companhia diante das mudanças tecnológicas. “Hoje penso na companhia como um ecossistema cujo centro é o consumidor. As formas de distribuição, a gente decide quais são, e essas são as que mudam com o tempo, o rádio, a TV, a internet, o streaming, sabe Deus o que virá pela frente. O que não muda com o tempo é essa grandeza da conexão com o consumidor. Então eu sempre digo: coração é a distribuição, mas a alma mesmo é o conteúdo, é o que mais importa para a gente.”
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