Clarita Maia na Crusoé: O real inimigo do povo
O ataque às mediações institucionais precede, quase invariavelmente, a legitimação da violência política. Seja ela evidente, seja ela camuflada
Mobilizações foram convocadas no último final de semana em protesto à aprovação, na Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei da Dosimetria (PL 2.162/2023), que concede anistia aos participantes das manifestações reivindicatórias de motivação política ocorridas a partir do dia 30 de outubro de 2022.
O propósito claro do texto é o de beneficiar todos aqueles condenados pelos atos do dia 8 de janeiro de 2023.
Em cartazes e manifestações digitais, foram comuns os dizeres “Congresso inimigo do povo”.
Importante contextualizar que essas demonstrações ocorreram na mesma semana em que o deputado federal Glauber Braga foi suspenso pelo plenário daquela Casa por quebra de decoro, em razão de ter agredido, com empurrões e chutes, um cidadão brasileiro, expulsando-o do prédio da Câmara.
Os protestos também se deram após Glauber, em desesperada manobra contra a inclusão em pauta de seu processo de cassação, tomar a Mesa da Câmara, negando-se a dela sair, esvaziando o plenário e interrompendo o andamento normal da ordem do dia, e de ter sido retirado à força pela Polícia Legislativa.
A suspensão do mandato de Glauber foi proposta por meio de emenda do Partido dos Trabalhadores (PT) como alternativa à cassação defendida pelo Conselho de Ética. Além da manobra regimental, ventila-se que o PT teria oferecido emendas parlamentares para impedir a cassação.
Glauber Braga foi, também, o autor de pedido de audiência pública que procurava tratar da guerra em Gaza.
Durante a audiência, um militante político, vestido com uma camiseta do grupo terrorista Hamas, foi flagrado pelas câmeras institucionais transitando calma e livremente no plenário, interagindo com o parlamentar e distribuindo panfletos.
É bom lembrar que, de acordo com o documento intitulado o Pacto do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), de 18 de agosto de 1988, não revogado pelo documento de 2017, o movimento expressa manifesto propósito genocida: “Nossa luta contra os judeus é grande e séria”, “O Dia do Juízo Final não chegará até que os muçulmanos lutem contra os judeus (matando os judeus)“, entre outras lisonjas.
As manifestações do último fim de semana foram, assim, um misto de protesto contra o PL da Dosimetria e de apoio…
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