Crusoé: Captura de Maduro deve reverberar nas eleições brasileiras de 2026
Cientista político ressalta que este é um momento de reacomodação das políticas globais e de reposicionamento dos Estados Unidos
A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos terá uma reverberação nas eleições brasileiras de 2026. A análise é do doutor em ciência política e mestre em relações internacionais Lucas Rezende, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
“É natural que [essa reverberação] aconteça. Pois o que houve mudou o cenário da política sul-americana, para não dizer da política internacional. Porque este é um momento de reacomodação das políticas globais e um momento de reposicionamento muito significativo dos Estados Unidos. Então, é claro que isso vai ter um impacto muito grande. Assim como teve o impacto do tarifaço”, afirmou o especialista em entrevista a Crusoé.
Rezende ressalta que possivelmente pela primeira vez numa eleição presidencial o Brasil terá um tema de política externa que seja muito relevante na agenda presidencial.
“É claro que há muita munição para tentar associar o presidente o Lula ao Nicolás Maduro, pela proximidade ideológica que havia inicialmente, enquanto ele e Hugo Chávez originários de movimentos de esquerda. Mas as semelhanças param por aí”, acrescenta.
O cientista político reforça que o presidente Lula (PT) tem um governo legítimo, eleito, enquanto Maduro já não era uma liderança legítima na Venezuela há muito tempo. “O próprio governo Lula já havia se distanciado, ao não ter reconhecido enquanto legítimos os resultados das últimas eleições”.
Apesar de considerar que o tema da captura de Maduro aparecerá nas avaliações, Rezende não acredita que o presidente Lula precisa ter preocupação com o eleitor de centro ao se manifestar sobre ele, pois “o que cabe ao governo brasileiro neste momento é mostrar a sua indignação da forma como o Maduro foi tirado do poder”.
Para o cientista político, é importante que o governo brasileiro se manifeste contra qualquer intervenção direta de uma potência estrangeira em um país soberano na América do Sul.
Ele salienta que a Venezuela tinha um governo autoritário, ilegítimo, que precisava sair…
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