Pessoas viajam em cima de trens lotados nesse país e o motivo vai te deixar sem palavras
Trens lotados, gente no teto dos vagões e uma rotina que foge de qualquer padrão conhecido
Chegar à maior favela de Bangladesh, Korail, revela uma cena que foge do roteiro turístico: gente em cima dos vagões, trânsito caótico em Daca e um trem que, para muitos moradores, é mais necessidade do que escolha.
Por que milhares viajam em cima dos trens em Bangladesh
Em um país com mais de 171 milhões de pessoas em território compacto, o trem vira a forma mais barata de se deslocar pela capital. Muitos viajam em cima dos vagões, pendurados nas laterais ou espremidos entre centenas de passageiros, mesmo arriscando a vida.
Surfar o trem não é exibicionismo, mas consequência do bolso apertado. Muita gente prefere arriscar a pagar pouco mais de 1 real por um bilhete. Enfrentam vagões lotados, risco de queda, choques, atropelamentos e multa de 60 takas, cerca de 3 reais.

Como é a viagem de trem até Korail
A viagem mostra um Bangladesh que não aparece em folder de agência: telhados cheios de gente, crianças correndo no teto dos vagões, moradores vivendo colados ao trilho e casas improvisadas a poucos passos da passagem do trem.
Do alto do vagão, a paisagem mistura sujeira acumulada, ar quente, gente vendendo produtos na beira da linha e muita curiosidade dos locais. O trem vira um corredor vivo, onde trânsito, comércio e moradia se encontram sem nenhuma barreira.
O que torna Korail especial e vulnerável às enchentes
Korail abriga cerca de 300 mil pessoas em espaço pequeno, com becos apertados, lama, lixo acumulado e casas minúsculas onde famílias inteiras vivem em áreas de aproximadamente 5 m². É resultado direto de um país extremamente vulnerável às mudanças climáticas.
Todos os anos, enchentes, ciclones e erosão de margens de rios expulsam centenas de milhares de bengaleses de áreas rurais. Muitos são agricultores e pescadores que perdem plantações de melancia, lentilha, pimenta, rebanhos e casas, migrando para Daca com quase nada além da roupa do corpo.
Curioso sobre os trens lotados? Vídeo mostra cenas impressionantes:
Que tipo de vida existe dentro da favela
Apesar da falta de estrutura, Korail funciona como cidade compacta com serviços próprios. Há cabeleireiros, mercearias, restaurantes simples, mesquitas, farmácias, vendedores de ouro, conserto de televisões e até clínica odontológica equipada. Moradores se reúnem para assistir telenovelas, filmes, jogos de críquete na TV e até apostas discretas.
A favela sintetiza vários números que aparecem em relatórios: metade da população de Daca vive em favelas, cerca de um terço foi empurrada para lá por enchentes e erosão. A cidade saltou de 500 mil habitantes nos anos 1960 para mais de 23 milhões atualmente. Caminhar por seus becos e observar a rotina ajuda a entender a complexidade do país muito além do mapa.
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