CPMI pode atrapalhar investigação de fraude e atrasar ressarcimento, diz Gleisi
Pedido para criar a comissão já foi protocolado e tem o apoio de 39 senadores e 230 deputados, incluindo um congressista do PT
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse nesta sexta-feira, 16, que uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, como a oposição propõe, pode comprometer o sucesso da investigação policial do caso e atrasar o ressarcimento das vítimas.
Gleisi se manifestou pelo X (antigo Twitter) sobre o movimento no Congresso pela criação da CPMI. O requerimento de criação do colegiado foi protocolado na última segunda-feira, 12, pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). No total, até o momento, 39 senadores e 230 deputados assinaram o pedido, incluindo um congressista do PT, partido de Gleisi e do presidente Lula: o senador Fabiano Contarato (ES).
“A prioridade do governo agora, além de punir os responsáveis, é ressarcir as pessoas roubadas e aprofundar as investigações até as origens desses crimes. Uma CPMI, no ambiente de exploração política em que está sendo proposta, pode comprometer o sucesso da investigação policial, que deve permanecer protegida de interferências externas e do vazamento de informações“, pontuou Gleisi.
“Também pode atrasar o ressarcimento das vítimas, já que sua duração está prevista para seis meses, impactando nas medidas já em curso. São preocupações que precisamos externar para esclarecer a população. Este governo já suspendeu os descontos, acabando com o roubo aos aposentados, demonstrou que levará as investigações até as últimas consequências e trabalha para ressarcir as vítimas o mais rápido possível”, complementou.
Para que a CPMI seja criada, o presidente do senado, Davi Alcolumbre (União-AP), precisa fazer a leitura do requerimento durante sessão conjunta do Congresso Nacional. A próxima está prevista para o dia 27 de maio.
Na quinta-feira, 15, Damares Alves disse que acionará o Supremo Tribunal Federal (STF) se Alcolumbre não instalar a comissão. Ela deu a declaração durante audiência pública, no Senado, na qual o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, foi prestar esclarecimentos sobre o esquema de descontos irregulares.
Wolney Queiroz afirmou ter preocupação de que as investigações sobre os descontos demore mais e o ressarcimento dos prejudicados sejam atrasados se a chamada CPI do Roubo dos Aposentados ou a CPMI for instalada. Disse ainda que qualquer que sejam os dados buscados pelos colegiados, serão encontrados na Polícia Federal ou na Controladoria-Geral da União.
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