CPI quebra sigilo de cunhado de Vorcaro
Comissão aprovou acesso a dados bancários e telefônicos de Fabiano Zettel e ouviu o fundador da Reag, João Carlos Mansur.
A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou nesta quarta-feira, 11, a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro e ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A medida foi aprovada por requerimento apresentado no âmbito das investigações conduzidas pela comissão sobre possíveis conexões entre o sistema financeiro e estruturas ligadas ao crime organizado.
Com a decisão, os senadores terão acesso a registros de movimentações financeiras, dados fiscais, histórico de comunicações telefônicas e informações telemáticas do empresário. A intenção da comissão é rastrear eventuais transações, contatos e movimentações que possam indicar a participação de pessoas do entorno de Vorcaro em operações consideradas suspeitas.
Fabiano Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro, e passou a ser citado nas investigações após a deflagração de etapas recentes da “Operação Compliance Zero“, conduzida pela Polícia Federal. Parlamentares avaliam que o acesso aos dados poderá ajudar a esclarecer se integrantes do círculo próximo ao banqueiro tiveram participação em movimentações financeiras investigadas ou atuaram como intermediários em operações sob análise das autoridades.
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Além da medida envolvendo Zettel, a CPI também aprovou a quebra de sigilos de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, personagem citado nas investigações relacionadas ao caso Master. Ainda em relação a Mourão, os senadores aprovaram um requerimento solicitando ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master na Corte, informações detalhadas sobre as circunstâncias da morte do investigado, enquanto estava sob custódia da Polícia Federal.
A comissão também aprovou a convocação de Marilson Roseno da Silva, apontado nas investigações como integrante de um grupo conhecido como “a Turma”. Além dele, foram chamados a prestar esclarecimentos os servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, citados em apurações sobre possíveis favorecimentos ao Banco Master.
Os senadores ainda aprovaram convites para que autoridades prestem esclarecimentos à comissão. Entre os convidados estão os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva.
Depoimento de fundador da Reag
Durante a sessão, os senadores também ouviram o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, empresa que é alvo de investigações da Polícia Federal em duas operações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Inicialmente, o advogado José Luis Oliveira Lima informou à comissão que Mansur faria uso do direito de permanecer em silêncio. No entanto, o empresário decidiu responder aos questionamentos e apresentou sua versão sobre as atividades da empresa, negando irregularidades.
“A gente escolheu o nível de governança mais alto possível. Temos uma conselho administrativo independente, com nomes de referência no mercado e operações muito claras e muito transparentes. Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. O nosso mercado penaliza o independente”, concluiu Mansur em depoimento à CPI.
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