“Turma dos bancos está furiosa”, disse Vorcaro sobre venda do Master
Dono do Master afirmou que seria uma semana de retaliação contra ele, dois dias depois de o BRB aprovar a compra da instituição
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse à namorada – Martha Graeff – em março de 2025 que outros bancos estavam “furiosos“ com a operação de venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). O diálogo dele com a mulher por mensagens faz parte do material obtido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS a partir da quebra do sigilo telemático do banqueiro.
“Alguma novidade?”, perguntou Graeff ao banqueiro, em 30 de maço do ano passado. “Amor, ta bem tenso, turma dos bancos ta furiosa e ontem plantaram varias noticias. Vai ser uma semana de retaliação contra mim. Estao muito indignados que deu certo”, respondeu Vorcaro.
“Com certeza amor. Imaginei que isso poderia acontecer”, disse a mulher, na sequência. “Foi muita exposicao. Eu achei que daria mas nao tanto. Todo site, blog, instagram que abri ultimos dois dias (sic) tinha minha cara e a operação “, pontuou Vorcaro.
“Amor foi uma huge news [grande notícia]. Mas você acha que eles podem te prejudicar depois de feito?”, reagiu Graeff.
“Estao ja ne. Comecam a plantar coisas pra atrapalhar banco central e autoridades que precisam aprovar operação. Entre outras maldades. Estao jogando pesado na midia. Sera uma semana de muita retaliação. Mas tudo bem, vamos pra cima”, disse o banqueiro.
“Ai meu amor se prepara emocionalmente pra isso. Pede oração e proteção”, reagiu a namorada.
A conversa ocorreu dois dias depois de o Conselho de Administração do BRB aprovar a compra do Banco Master. Em 4 de setembro do ano passado, porém, o Banco Central rejeitou a compra.
Prisão de Vorcaro
Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira, 4, pela Polícia Federal (PF). O banqueiro foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
As investigações contaram com o apoio do Banco Central. “Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até 22 bilhões de reais, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”, afirmou a PF, em comunicado.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)