Correios suspendem exposições no Rio por crise financeira
Estatal interrompe calendário cultural em meio a prejuízo bilionário e revisão de modelo de gestão dos espaços
Os Correios suspenderam a programação de exposições previstas para os próximos meses no Centro Cultural Correios, no Centro do Rio de Janeiro. A notificação foi enviada na semana passada a artistas, curadores e equipes responsáveis pelas mostras.
A medida ocorre enquanto a estatal acumula prejuízo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo demonstrações financeiras aprovadas pelo Conselho de Administração da empresa.
Justificativa da empresa
Questionada pelo Globo, a instituição associou a interrupção do calendário a um processo de ajuste interno. Segundo nota enviada pelo Centro Cultural Correios, “os Correios estão revisando o modelo de cessão de seus espaços culturais, com o objetivo de alinhar as ações de desenvolvimento e acesso a bens culturais às medidas em trâmite na empresa, com foco na otimização de recursos e na sustentabilidade”.
A nota não estabelece prazo para conclusão dos estudos sobre o futuro da instituição, tampouco para a remarcação das mostras suspensas. De acordo com o documento enviado às equipes das exposições, a determinação partiu da gestão do departamento cultural dos Correios, sediada em Brasília.
Impacto sobre artistas e calendário cultural
Desde o envio da notificação, não houve novo posicionamento da empresa sobre as produções afetadas. Parte delas estava prevista para coincidir com eventos relevantes do calendário cultural do Rio de Janeiro, entre eles a ArtRio, marcada para setembro.
O comunicado gerou apreensão entre os profissionais envolvidos, que temem que a suspensão sinalize um desfecho mais drástico para o espaço, situado no Centro da capital fluminense.
A programação atual segue até 4 de julho, quando se encerram quatro exposições: Língua de Fogo, de Pàulla Scàvazzini; Arca Quattro, de Luiz Badia; Jardim, de Carol Ambrósio; e Caminho Suspenso, de Ruan D’Ornellas.
Histórico de perdas
O déficit do primeiro trimestre de 2026 representa piora em relação ao resultado de todo o ano de 2025, quando a estatal registrou prejuízo de cerca de R$ 1,7 bilhão. O cenário financeiro é apontado pela empresa como motivação para revisar a forma como os espaços culturais são administrados em diferentes unidades do país.
Até a publicação da nota, o Centro Cultural Correios não detalhou quais mudanças estruturais estão sob análise nem quando devem ser anunciadas. A expectativa de artistas e curadores é que a empresa esclareça os próximos passos antes do encerramento das mostras em cartaz.
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