Comissão do Senado pede informação sobre empréstimo entre cunhada de Motta e Master
Comissão de Assuntos Econômicos quer saber se as garantias oferecidas pela solicitante são compatíveis com o montante emprestado
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira, 19, um requerimento para que o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, preste informações sobre uma suposta operação de empréstimo contratada pela empresária Bianca Medeiros – cunhada do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) – e o Banco Master.
O requerimento é de autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). O colegiado quer saber de Galípolo, entre outros pontos, se efetivamente houve esse contrato de empréstimo; se afirmativo, o valor total do empréstimo e a data em que foi firmado o acordo; se as garantias oferecidas pela solicitante são compatíveis com o montante emprestado; e se as condições gerais o contrato de empréstimo estão em conformidade com a média do mercado.
Fraudes financeiras envolvendo o Banco Master são investigadas pela Polícia Federal (PF). Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, está preso preventivamente.
Na justificativa do requerimento de informações, Vital do Rêgo explica que, no último dia 17 de março, o jornal Valor Econômico informou Bianca Medeiros confirmou, por meio de sua assessoria, que celebrou, em 2024, uma operação de empréstimo com o Master em valores elevados.
A reportagem aponta que, em 8 de março de 2024, a a cunhada de Motta adquiriu todas as cotas de uma empresa chamada ETC Participações, cujo capital social era de apenas 100 mil reais, e, na sequência, assinou um contrato milionário com o Master oferecendo essas cotas como garantia. Com o dinheiro, ela teria comprado um terreno de 400 hectares em João Pessoa.
“Considerando que, segundo as informações da imprensa, o nome de Motta teria aparecido como um dos parlamentares que mantinha contato com o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, e que ele foi o autor de uma emenda que efetivamente beneficiou os investidores em Mercado de Carbono, entre os quais estavam pessoas ligadas ao banco liquidado, é necessário analisar com minúcia se esse contrato de empréstimo – o qual, segundo se noticia, tem aparência de operação temerária – não seria uma contrapartida da instituição financeira pelo auxílio recebido ou se, de fato, foi celebrado em condições normais de mercado”, acrescenta Vital do Rêgo
Galípolo participou nesta terça de uma audiência pública na CAE. Na ocasião, ele afirmou que o Banco Master “não oferece risco sistêmico” para o Sistema Financeiro Nacional, mas que concorda que “o que foi feito com o dinheiro” que estava na instituição financeira consterna as pessoas.
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