Comissão da Câmara aprova convocação de Lewandowski para falar de megaoperação
O requerimento de convocação é de autoria do líder da oposição; ministro é obrigado a comparecer para dar as explicações
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 4, o requerimento de convocação do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para prestar esclarecimentos sobre a ausência do governo federal na megaoperação policial contra o Comando Vermelho (CV) que deixou mais de 120 mortos no Rio.
O requerimento é de autoria do líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS). O colegiado é presidido pelo também deputado oposicionista Paulo Bilynskyj (PL-SP). Por ter sido convocado, Lewandowski é obrigado a comparecer para dar as explicações. Ainda será marcada uma data para a audiência pública.
A presente convocação do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, tem por objetivo esclarecer fatos relativos à recente operação policial realizada no Estado do Rio de Janeiro, para combater o crime organizado em uma das regiões mais dominadas por facções criminosas do país”, pontua Zucco, na justificativa do pedido.
“A operação – planejada para restabelecer a ordem e garantir segurança à população – resultou em confronto intenso, mas foi uma ação necessária e legítima, diante do poder crescente das organizações criminosas que aterrorizam comunidades inteiras e desafiam a autoridade do Estado. Entretanto, causou estranheza e preocupação o fato de o governo federal, por meio do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, ter se omitido de participar ou apoiar a ação“, acrescenta.
O parlamentar ressalta ainda que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação tinha conhecimento da operação, mas descartou participação, enquanto Lewandowski disse que não recebeu pedido formal de apoio do governo estadual.
“A ausência da Polícia Federal numa operação dessa relevância levanta dúvidas sobre as razões dessa decisão e se houve motivação política ou ideológica que tenha impedido o apoio federal às forças de segurança do Rio de Janeiro. Não se pode admitir que divergências institucionais ou orientações políticas se sobreponham ao dever do Estado de proteger a população e garantir a lei e a ordem”, prossegue Zucco.
De acordo com o congressista, dessa forma, a convocação de Lewandowski é “imprescindível” para que a comissão obtenha esclarecimentos diretos sobre o nível de conhecimento e envolvimento do governo Lula (PT), os motivos da não participação da PF e quais medidas estão sendo adotadas para garantir que, em novas operações, não haja omissão ou descoordenação que enfraqueça o combate ao crime.
O ministro já vai à Câmara nesta terça, para participar de uma audiência pública na Comissão de Relações Internacionais. Ele também foi convocado, mas neste caso para prestar esclarecimentos sobre a atuação do governo federal no caso da concessão de proteção internacional à ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia; e sobre outros temas atuais e de relevância para a soberania, defesa e segurança nacionais, inseridos no âmbito de atuação da pasta.
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