Clarita Maia na Crusoé: Brasil, exportador e indefeso
País mantém relevante base industrial, mas é incapaz de transformar a própria defesa
O Brasil exporta foguetes, aeronaves e sistemas militares para um mundo em rearmamento acelerado, mas continua incapaz de transformar a própria defesa em prioridade nacional.
Esse é o contundente alerta constante na “Carta Aberta à Nação: País Indefeso Brasil”, publicado na revista Insight Inteligência e subscrito pelos embaixadores Jorio Dauster e Rubens Barbosa.
Durante décadas, a relativa estabilidade sul-americana permitiu que a defesa nacional fosse deslocada para a periferia das prioridades políticas e orçamentárias.
O mundo, porém, mudou rapidamente. A guerra da Ucrânia, a militarização do Indo-Pacífico, a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a disputa por semicondutores, minerais críticos e inteligência artificial recolocaram a defesa no centro da economia política global.
Estoques militares, logística industrial e capacidade de reposição voltaram a ser percebidos como elementos essenciais da soberania nacional.
Nesse contexto, o Brasil começou a perceber um paradoxo estratégico que permaneceu obscurecido durante anos: embora tenha historicamente subestimado a centralidade da defesa nacional e mantido suas capacidades militares cronicamente subaparelhadas, o país preservou uma das mais relevantes bases industriais de defesa do mundo em desenvolvimento e boa capacidade exportadora.
Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. Em 2025, a indústria brasileira de defesa alcançou 3,1 bilhões de dólares em autorizações de exportação, crescimento de 74% em relação ao ano anterior e mais que o dobro do registrado em 2023.
No mesmo período, o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) registrou que os gastos militares globais atingiram 2,887 trilhões de dólares, o maior nível já documentado e o décimo primeiro ano consecutivo de expansão dos investimentos mundiais em defesa.
No cenário de rearmamento global, o Brasil ocupa posição singular.
Embora tenha elevado em 13% seus gastos militares em 2025, alcançando o maior orçamento militar da América do Sul, o país ainda destina apenas cerca de 1,6% do PIB à defesa.
Seu diferencial, contudo, reside menos no volume absoluto de recursos e mais…
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