Se depender de Lula, vem aí o Bolsa Receptador
O sujeito que, de boa-fé ou não, por ignorância ou não, compra algo roubado, alimenta o mercado e financia o próximo assalto
O presidente Lula, em mais um de seus discursos que misturam messianismo eleitoreiro com descolamento da realidade, diante de uma plateia controlada, como de hábito, voltou a “deitar falação” sobre segurança pública, especialmente sobre roubo de smartphones, tema em que mistura ignorância, má-fé intelectual, demagogia e, sobretudo, muita complacência com a criminalidade, como de costume.
O pai do Ronaldinho dos Negócios – talvez daí tanta empatia com o tema – resolveu, mais uma vez, inovar nas relações entre Poder Público e marginalidade. Na quinta-feira, 21, em Aracruz (ES), Lula decidiu estabelecer uma espécie de DR com ladrões e receptadores de aparelhos celulares roubados. Segundo ele, uma gente humilde, dotada de boa-fé, que, “como todos nós”, não resiste a uma boa oferta.
Depois de décadas em que o cidadão honesto aprende, na prática, a andar olhando para os lados, esconder o celular no bolso – onde hoje toda a vida acontece, desde conta em banco ao bate-papo com os pais – e agradecer aos céus quando volta vivo para casa, agora surge uma nova tese humanista: talvez seja injusto pedir que alguém devolva um aparelho roubado sem receber alguma compensação.
O criminoso é a vítima
Sim. É isso mesmo. A “alma mais honesta deste país” afirmou compreender quem compra um celular roubado “de boa-fé”, e cogita criar uma forma de “seduzir” o receptor a entregar o aparelho. O sujeito compra um iPhone de R$ 8 mil por R$ 1,5 mil, sem nota, sem caixa, sem origem, e o governo acha razoável discutir um incentivo estatal para convencê-lo a devolver o produto ao dono original.
O Brasil do lulopetismo talvez seja o único país do mundo onde o Estado demonstra mais preocupação com quem compra um objeto roubado do que com a vítima. Dias atrás, o presidente disse que traficantes de drogas são vítimas – sim, eu juro! – e também afirmou a Donald Trump que os EUA precisam criar condições econômicas favoráveis aos países produtores de drogas antes de cobrar combate ao crime.
Voltando aos celulares, a lógica lulista é fascinante. O ladrão rouba. O receptador compra. O cidadão que trabalhou honestamente e que empenhou parte do salário em prestações intermináveis, com juros altíssimos, para adquirir o produto, perde. E o governo estuda compensar justamente o elo que mantém o crime economicamente vivo. Porque sem receptação não existe roubo de celulares.
Premiando o ladrão
O sujeito que, de boa-fé ou não, por ignorância ou não, porque “não resiste a uma boa oferta” ou não, compra algo roubado – celular, peças automotivas, tênis ou cigarros – alimenta o mercado e financia o próximo assalto. É ele que bancariza o crime, que dá liquidez ao furto, transformando violência urbana em modelo de negócios. Não é um detalhe social lateral da cadeia criminosa, e, sim, uma peça central dela.
Mas Lula, para não variar, prefere tratar o tema como uma espécie de dilema social. Um mal-entendido antropológico entre pobres consumidores, marginalizados pelo capitalismo selvagem, que não permite que tenham renda e bens de consumo, e os ricos crueis. É a eterna romantização de esquerda da ilegalidade, quando fantasiada de necessidade: “Roubar pra tomar uma cervejinha”.
Daqui a pouco, a depender do lulopetismo, principalmente em ano eleitoral, haverá cashback do receptador consciente: entregue seu celular roubado e ganhe pontos no programa Meu Governo Minha Vida. Preparem o bolso, porque, conhecendo Lula como conhecemos, logo, logo ele lançará um Bolsa Receptador. Afinal, para quem já recebeu mimos como sítios e tríplex, o que é um iPhonezinho 15?
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Comentários (3)
Aldo Petroni
25.05.2026 07:40Correção do comentário acima: pena esse comentário do Ricardo Kertzman não ser aberto para o público em geral...
Aldo Petroni
25.05.2026 07:23Pena comentário não ser aberto para o público em geral. Parece que essa atração por tiranos e marginais é, também, uma forma de se auto-justificar. Ele vai acabar transformando seus eleitores em personagens análogos aos colaboracionistas da França ocupada pelos nazistas.
Helio Silveira Martins
23.05.2026 17:57Mais um comentário excelente. Parabéns, Ricardo.