Ciro Nogueira poderia interferir em investigações, diz PF
O parlamentar apresentou uma emenda à Proposta de Emenda Constitucional de autonomia do Banco Central que beneficiava o Master
Na representação apresentada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a Polícia Federal apontou receios de que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, pudesse interferir nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Como mostramos, Ciro foi alvo da quinta fase da operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, o parlamentar apresentou uma emenda à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autonomia do Banco Central que aumentava o valor do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de 250 mil reais para 1 milhão de reais. A emenda beneficiava diretamente Daniel Vorcaro e foi elaborada pela assessoria do banqueiro, segundo a PF.
Em troca, para a PF, Ciro teve despesas pessoais custeadas pelo banqueiro e ainda recebeu uma mesada de até 500 mil por meio da BRGD S.A., empresa que tinha Oscar Vorcaro, tio de Daniel Vorcaro, como diretor. Os repasses foram feitos para a CNLF Empreendimentos, empresa controlada por Ciro, conforme a PF, e que tinha o mesmo endereço de uma loja de venda de motos no Piauí.
Segundo a PF, para dar fins de legalidades aos repasses, eles ocorreram a título de participação nos lucros da Green Investimentos.
“Em relação ao Senador CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO, os elementos coligidos indicam a existência de vínculo funcional estável com integrantes de outros núcleos da organização criminosa investigada, em especial os de natureza empresarial e financeira, os quais detêm controle direto sobre fluxos patrimoniais e decisões estratégicas relacionadas à prática dos ilícitos apurados”, declarou a PF.
“Ressalte-se que o parlamentar, ora investigado, detém o controle e figura como principal beneficiário das condutas relacionadas à execução material de atos de lavagem de capitais sob investigação, razão pela qual é inegável que sua capacidade de articulação política e institucional, aliada à proximidade reiterada com outros investigados, confere-lhe potencial elevado de influência sobre o curso da investigação, especialmente no que se refere ao alinhamento de versões, combinação de estratégias defensivas e circulação de informações sensíveis”, acrescentou o órgão policial, destacando.
“Nesse contexto, a proibição de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados na Operação Compliance Zero revela-se medida adequada e necessária, porquanto direcionada exclusivamente à proteção da investigação criminal, sem imposição de restrições excessivas ou desproporcionais à liberdade do investigado e à sua atuação parlamentar, pelo menos neste estágio da investigação. Cuida-se, assim, de providência cirúrgica e funcionalmente delimitada, plenamente compatível com o princípio da proporcionalidade em sentido estrito”.
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