CGU reage a tarifaço de Trump e acusa EUA de usar discurso anticorrupção como pressão política
Ministro Vinicius Carvalho diz que Washington cobra rigor do Brasil enquanto reduz a fiscalização de empresas americanas envolvidas em corrupção no exterior
O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Carvalho, rebateu nesta terça-feira, 2, as críticas dos Estados Unidos ao Brasil na área de combate à corrupção e classificou como “hipocrisia” a postura do governo americano ao justificar medidas comerciais com esse argumento.
A manifestação ocorreu após a divulgação da investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que recomendou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. Entre os pontos levantados pelo relatório estão temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e combate à corrupção.
Em publicação nas redes sociais, Carvalho afirmou que existe uma “contradição difícil de ignorar” na posição adotada por Washington. Segundo ele, os EUA cobram rigor de outros países ao mesmo tempo em que reduziram a prioridade da aplicação da legislação americana que pune empresas do país envolvidas em corrupção no exterior.
“Quando a corrupção envolve empresas dos Estados Unidos atuando fora das fronteiras, a cobrança perde força. Quando envolve pressionar um país soberano, o combate à corrupção vira instrumento geopolítico”, escreveu.
O ministro também sustentou que o Brasil tem mantido uma política ativa de responsabilização de empresas por irregularidades. De acordo com ele, desde a entrada em vigor da Lei Anticorrupção, em 2013, foram instaurados mais de 2.200 processos administrativos, aplicadas multas que somam cerca de R$ 2,1 bilhões e celebrados 36 acordos de leniência. Segundo os dados citados, mais de R$ 11,3 bilhões já retornaram aos cofres públicos.
Carvalho destacou ainda a atuação recente da CGU em conjunto com a Polícia Federal. Conforme relatou, apenas em 2025 o órgão participou de 76 operações que identificaram prejuízos potenciais superiores a R$ 13,6 bilhões provocados por grupos criminosos.
Na postagem, o ministro também associou a ofensiva comercial americana à atuação da família Bolsonaro. Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro, Carvalho afirmou que a investigação contou com o apoio de aliados que estariam levando disputas políticas internas aos Estados Unidos.
A declaração segue a linha adotada pelo presidente Lula, que tem atribuído a pressão comercial de Washington à articulação de integrantes da oposição junto ao governo de Donald Trump.
Ao concluir a manifestação, o chefe da CGU defendeu a atuação do governo federal no combate à corrupção e afirmou que o país não abrirá mão de sua soberania.
“A melhor resposta à hipocrisia é a prática. E a prática mostra que o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Lula, investiga, responsabiliza, recupera recursos públicos e combate a corrupção sem abrir mão dos interesses nacionais”, declarou.
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