Castro celebra eleição de Ruas para presidência da Alerj
Aliado do ex-governador foi eleito com 44 votos em pleito marcado por protesto de grupo ligado a Eduardo Paes
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), parabenizou a eleição do deputado estadual Douglas Ruas (PL, foto) como presidente da Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj.
“Você foi meu secretário durante quase todo o meu segundo mandato e eu queria deixar aqui o testemunho da tua qualidade técnica, do teu coração, do teu compromisso público… Eu não tenho dúvida de que os teus colegas hoje tem um grande acerto em te eleger presidente dessa Casa tão importante. Com você na frente a Assembleia será muito melhor”, afirmou Castro em vídeo divulgado no X.
Pré-candidato ao governo do Rio, Ruas foi eleito com 44 votos na manhã desta segunda-feira, 17, e empossado no cargo. O pleito foi marcado por duas contestações judiciais apresentadas pela oposição, que optou por não lançar candidato.
Protesto
Ao todo, 25 parlamentares de partidos como PT, PSB, PSD, PCdoB, MDB, PDT e PSOL não participaram da votação.
A disputa envolveria Ruas, aliado de Castro, e Vitor Júnior (PDT), apoiado por uma frente ligada ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), também pré-candidato ao governo do estado.
A oposição acabou retirando a candidatura de Vitor Júnior em protesto contra a decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), que manteve o modelo de votação aberta. Aliados de Paes afirmam que o formato expõe parlamentares a pressões e possíveis retaliações.
Sessão anulada
Em 26 de março, o TJRJ já havia anulado uma outra sessão que elegeu Ruas como novo presidente da Alerj.
A decisão foi tomada horas após a votação convocada pelo presidente em exercício da casa, Guilherme Delaroli (PL), pela manhã. Mesmo com a ausência de parte dos deputados, a sessão foi concluída com 45 votos favoráveis.
Como forma de protesto, deputados oposicionistas não participaram da sessão.
Vacância
O cargo de governador segue ocupado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), Ricardo Couto, que assumiu a tarefa de governar o caos após o esvaziamento total da linha sucessória.
O novo pleito tenta estancar uma sangria institucional recente de um estado onde a cadeira de governador tornou-se, nas últimas décadas, um símbolo recorrente de malfeitorias.
A linha sucessória de Cláudio Castro, que renunciou antes de ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compra de apoio político, ficou esvaziada desde que o seu ex-vice, Thiago Pampolha, foi indicado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Naturalmente, a cadeira seria assumida pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj.
No entanto, o influente político de Campos dos Goytacazes acabou sendo preso por vazamento de informações de operação contra o deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho (CV).
Dino pede vista
O caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que trata da modalidade da eleição para o mandato-tampão de governador e vice-governador do Rio de Janeiro.
Em 9 de abril, o ministro Flávio Dino pediu vista para analisar o tema após a publicação do acórdão do TSE sobre o julgamento que cassou o mandato de Castro.
Dessa forma, o julgamento foi suspenso. Antes de Dino pedir vista, o ministro Cristiano Zanin votou para que a eleição seja direto, com participação dos cidadãos, e o ministro Luiz Fux, por sua vez, votou para que o pleito seja pela via indireta, ou seja, os deputados estaduais escolheriam o governador e vice.
A melhor solução ao prestígio da Justiça Eleitoral é nós aguardarmos a consumação do julgamento. Por quê? A ministra Cármen [Lúcia] ontem disse com muita exatidão. O acórdão não foi publicado. Nós não temos os votos aqui. Eu, disciplinadamente, fui assistir ao julgamento na TV Justiça, mas obviamente eu não posso votar com base na TV Justiça, nós votamos com base nos autos”, falou Dino.
Para o ministro, a publicação do acórdão pelo TSE vai elucidar pontos que os integrantes do Supremo estão discutindo no julgamento sobre as ações do PSD.
Dino defendeu ainda que, enquanto o julgamento não for concluído, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, permaneça como governador interino.
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