Caso Master: comissão da Câmara aprova convite a diretor da PF dar explicações
Delegada da corporação e agente aposentado teriam atuado no repasse de informações sigilosas para "A Turma" de Vorcaro
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 26, um requerimento de convite ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para comparecer ao colegiado para prestar esclarecimentos sobre fatos divulgados no âmbito da Operação Compliance Zero – que investiga crimes financeiros envolvendo o Banco Master.
Os parlamentares querem que Andrei fale, principalmente, sobre as investigações envolvendo suposto repasse de informações sigilosas por servidores da corporação a integrantes do caso Master.
A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e outras seis pessoas.
Policial federal aposentado, Marilson é apontado pela PF como liderança operacional de “A Turma“, uma das estruturas vinculadas, em tese, à organização criminosa integrada pelo dono do Banco Master.
A Turma seria voltada à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
Segundo a Polícia Federal, Valéria e Francisco possuíam acesso, contatos e conhecimento técnico que poderiam favorecer a continuidade das práticas investigadas.
O requerimento de convite a Andrei aprovado é de autoria dos deputados Capitão Alden (PL-BA) e Sargento Fahur (PL-PR).
“A presente iniciativa tem por objetivo assegurar o pleno exercício da função fiscalizatória do Poder Legislativo, especialmente diante da gravidade dos fatos que vieram a público no âmbito da denominada Operação Compliance Zero, conduzida pela própria Polícia Federal”, dizem os parlamentares, na justificativa do pedido.
“As informações divulgadas pela imprensa nacional apontam para a existência de suposto esquema de vazamento de informações sigilosas, envolvendo agentes públicos vinculados à Polícia Federal, em benefício de investigados relacionados ao chamado ‘Caso Master’. Tais fatos, se confirmados, revelam potencial comprometimento da integridade institucional de um dos mais importantes órgãos de investigação e repressão à criminalidade no país”.
Eles prosseguem: “A PF exerce papel essencial na defesa da ordem pública, no combate à corrupção, ao crime organizado e aos delitos contra a Administração Pública. Em razão disso, qualquer suspeita de desvio funcional, favorecimento ilícito, utilização indevida de informações protegidas ou atuação incompatível com os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade demanda rigorosa apuração e acompanhamento por parte desta Casa Legislativa”.
Ainda de acordo com os parlamentares, o comparecimento de Andrei à comissão permitirá esclarecer quais providências administrativas e disciplinares estão sendo adotadas, quais mecanismos de controle interno foram acionados e quais medidas estão sendo implementadas para prevenir novos episódios similares.
“A oitiva também se mostra necessária para que esta Comissão possa compreender a extensão dos fatos investigados, os impactos institucionais decorrentes das irregularidades apontadas e os protocolos atualmente empregados para garantir a integridade das investigações conduzidas pela corporação”.
Por se tratar de convite, Andrei não é obrigado a comparecer para prestar as informações. Ainda será marcada uma data para a audiência pública.
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