Carlos Viana pede a Mendonça oitiva de Lulinha
Iniciativa ocorre após virem à tona mensagens sugerindo lobby de Lulinha e Luchsinger junto do gabinete do presidente Lula
O ex-presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), disse nesta terça-feira, 18, que pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que seja avaliada uma possível oitiva do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
A iniciativa ocorre após virem à tona mensagens trocadas entre Lulinha e Roberta Luchsinger, de março de 2024, que sugerem que a dupla, investigada pela Polícia Federal por tráfico de influência, atuava em lobby junto do gabinete do presidente Lula (PT).
No diálogo, o filho de Lula disse que participou de reuniões com o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa, o Berger.
Eis o diálogo:
[Roberta Luchsinger]: Nosso nível tá outro.
[Roberta Luchsinger]: Nosso futuro é a Suíça.
[Roberta Luchsinger]: Poucos negócios é bom.
[Roberta Luchsinger]: Esse povo aqui tá em outra vibe.
[Lulinha]: Isso… deixa eles… trabalho para caralho e nunca da em nada.
[Roberta Luchsinger]: Decepção tá.
[Lulinha]: É que o Fernando abusa… Todo dia tem um pedido novo pra ele… todo santo dia… Ele parou de atender ZP e Fernando.
[Roberta Luchsinger]: Marcola não quer.
[Roberta Luchsinger]: Ele tá incomodado.
[Roberta Luchsinger]: I falou pra gente almoçar com Berger e ele sem Fefe.
[Roberta Luchsinger]: Pq ele não quer mesmo.
[Lulinha]: Isso… Já é o terceiro almoço que eu tenho com ele ele pede pra ser só entre nós.
Segundo os investigadores, “Fernando” ou “Fefe” a quem Lulinha e Roberta se referem é Fernando Bittar, ex-sócio do filho do presidente Lula e um dos donos formais do sítio de Atibaia.
O sítio que era usado por Lula em Atibaia e que lhe rendeu uma condenação por lavagem de dinheiro e corrupção passiva na Operação Lava Jato foi comprado em 2010 pelo valor de 1,5 milhão de reais.
Desse valor, 1 milhão de reais foi pago por Jonas Suassuna.
Os 500 mil reais restantes foram pagos por Fernando Bittar, filho do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar e irmão de Kalil Bittar.
As planilhas também mostram que Kalil Bittar recebeu 750 mil reais de Lulinha entre 2022 e 2025. Os pagamentos eram realizados mensalmente no valor de 50 mil reais.
Os valores pagos para Jonas Suassuna (700 mil reais) e Kalil Bittar (750 mil reais) totalizam 1,450 milhão de reais, quase o valor que foi pago pelo sítio em 2010 (sem contar a inflação).
Os pedidos de Viana
Viana anunciou pelo X que acionou Mendonça. “Acabo de pedir OFICIALMENTE ao ministro André Mendonça providências urgentes diante das novas revelações envolvendo Lulinha Pedi preservação imediata das provas e que seja avaliada sua oitiva pelas autoridades responsáveis Ninguém pode estar acima da investigação. Nem mesmo o filho do presidente da República. O Brasil merece saber a verdade”, escreveu o senador.
Em outra publicação, pontuou: “Pedi oficialmente ao ministro André Mendonça providências urgentes para que Lulinha seja ouvido e as provas sejam preservadas. E não é de hoje que eu cobro respostas. Lá atrás, fui eu quem aprovou a quebra do sigilo de Lulinha na CPMI do INSS. Não importa o sobrenome. Não importa de quem é filho. A lei tem que valer para todos. Eu confio no ministro André Mendonça e acredito que a Justiça vai fazer o seu papel. O Brasil vai conhecer a verdade. Nós não perdemos a esperança. E eu não vou parar”.
Mendonça ainda vai decidir sobre os pedidos do ex-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.
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